"Atualmente, o ponto chave da atividade cinematográfica é a distribuição", afirmou o crítico e distribuidor de cinema José Carlos Avellar, durante audiência pública na subcomissão de cinema do Senado, nesta sexta-feira (dia 12). Ele propôs que o governo estimule a ocupação de áreas populares, através de salas preparadas para filmes que não tenham as características dos filmes norte-americanos. "A cultura é que faz o mercado", frisou.Ele citou o trabalho que vem realizando à frente da Rio Filmes, distribuidora da prefeitura do Rio de Janeiro, que desde 1991 exibe produções nacionais e promove debates semanalmente em escolas cariocas. O objetivo, segundo ele, é a formação de um público mais receptivo ao cinema nacional e mais crítico quanto à produção cinematográfica americana.A grande preocupação com a supremacia dos produtos audiovisuais norte-americanos tem sido constante entre os convidados que participaram das quatro audiências públicas já realizadas pela subcomissão de cinema. Avellar, por exemplo, ressaltou que a inferioridade brasileira nesse campo se acentua à edida que os americanos têm tido um apoio decisivo do seu governo.- Dispondo de financiamentos com taxas de juros de 2%, os exibidores americanos estão conseguindo ampliar sua rede de distribuição em todo mundo, incluisve no Brasil, onde cerca de 300 das 1.500 salas hoje existentes são do modelo multiplex ¿ disse ele.Para Avellar, o cinema brasileiro enfrenta uma grande dificuldade quando procura se impor no mercado distribuidor, pela precariedade de recursos para divulgar seus produtos. Desse modo, segundo o distribuidor, o filme Central do Brasil, por exemplo, só conseguiu ampliar seu público depois que já estava sendo exibido há três semanas, como resultado da propaganda boca-a-boca.
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