"Ninguém obteve mais recursos do governo Fernando Henrique do que São Paulo". Assim, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, reagiu às declarações do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), que disse que a Bahia teria mais facilidades na liberação de recursos do governo federal.
- É do hábito do governador Mário Covas ficar turrão e chorar recursos para obter mais da equipe econômica. Tem dado certo a sua tática. Entretanto, ela é espoliativa em relação aos outros estados. Ele pode até chorar para obter, mas ele precisa fazer como o (Anthony) Garotinho (governador do Rio de Janeiro), que é mais inteligente; ele chora sorrindo - disse Antonio Carlos, que prometeu apresentar nesta quinta-feira (dia 9) um levantamento que comprova suas declarações.
Citando a jornalista Miriam Leitão, Antonio Carlos disse que o Banco do Estado de São Paulo (Banespa) já foi vendido três vezes e inchado por "tudo que era ruim que ele (Covas) colocou para fazer a venda". Pela Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa), continuou, São Paulo também recebeu mais que o devido. O presidente do Senado citou ainda os mais de R$ 50 bilhões da dívida paulista que foram renegociados com a União.
- Eu tenho muita admiração por Mário Covas, acho que ele é um bom governador. Apesar de ter a minha idade quase, é uma esperança para São Paulo e o país. Ele, no íntimo, pensa que manda no governo; não é verdade. Eu mando dez vezes menos do que ele, mas quem manda muito mais é o (José) Serra (ministro da Saúde) - disse.
Segundo ele, a Bahia não tem mais influência e mais competência na liberação de recursos federais. Parlamentares, disse Antonio Carlos, mostraram que a Bahia não recebeu do orçamento, mais que 9% do previsto. Enquanto isso, informou, São Paulo já teria recebido 34%.
- São esses escândalos que precisam acabar no Brasil. A equipe econômica treme quando o Covas chora e grita. Ele precisa ver as dificuldades que os outros têm. Ele está rindo por dentro - criticou, observando que existe um "paulistério" no governo.Antonio Carlos criticou ainda a administração de Covas, que, na sua opinião, devia ter secretários melhores, que poderiam, por exemplo, ter evitado as crises observadas na Febem do estado.
O presidente do Senado contestou a afirmação de Covas de que São Paulo é bom pagador, pois "essa não é a tradição do estado". Por outro lado, disse, a Bahia é um estado organizado há muito tempo e com bons administradores.
- Que culpa tenho eu de faltar isso a São Paulo? São Paulo merecia melhor sorte, mas não é por falta de dinheiro - ponderou.
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