O rio São Francisco está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e precisa se recuperar a fim de que se aprofunde o debate sobre a transposição de suas águas para beneficiar estados do Nordeste que sofrem com a seca. Essa foi uma das conclusões da audiência pública promovida na noite desta terça-feira (dia 7) no Senado, com a participação do presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco), Airson Bezerra Lócio, e do secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Raimundo Garrido. A audiência ¿ a primeira de uma série que o Senado deverá realizar ¿, promovida pelas Comissões de Serviços de Infra-Estrutura (CI), de Assuntos Econômicos (CAE) e de Assuntos Sociais (CAS), deixou clara a necessidade de amplo debate sobre o uso das águas do São Francisco - envolvendo os governos estaduais da região, o governo federal e os setores interessados ¿, com mediação do Senado, que representa as unidades da Federação. O presidente da Codevasf, Airson Lócio, destacou a necessidade de interligação de bacias com o São Francisco para aumentar a capacidade hídrica deste rio. Observou que do potencial de irrigação de 800 mil hectares, já foram utilizados 330 mil hectares na bacia do São Francisco. Quanto à energia elétrica, do potencial de 22 mil megawatts, estão sendo usados 11 mil megawatts. Airson Lócio considerou que uma transposição de águas de 70 ou 75 metros por segundo não representaria grande prejuízo no momento. Já Raimundo Garrido ressaltou que uma obra de grande porte, como a transposição de um rio, deve ser considerada depois de esgotadas várias outras possibilidades, dentre as quais a reutilização da água, aproveitamento de águas subterrâneas, dessalinização e uso de reservatórios estratégicos. Lembrou que a transposição exige também estudos detalhados de impacto ambiental.
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