Os 11 anos da morte do deputado estadual paraense João Carlos Batista, assassinado quando chegava em sua residência, diante da esposa e das filhas, foram lembrados nesta terça-feira (dia 7) pelo senador Ademir Andrade (PSB-PA), ao protestar contra a demora na captura do mandantes e julgamento dos acusados. O deputado era líder do PSB na Assembléia Legislativa do Pará e foi morto logo após ter denunciado mais uma das ameaças de morte que vinha recebendo.
- Até hoje os mandantes e executores do assassinato de João Batista não foram a julgamento e o processo se arrasta no Tribunal de Justiça do Estado do Pará, numa tramitação lenta, provocada por inúmeros recursos impetrados na tentativa de proteger e garantir a impunidade dos acusados. Este crime chocou e indignou a opinião pública e os meios políticos locais e nacionais, por sua violência e ousadia, uma vez que o então deputado encontrava-se em pleno exercício de seu mandato parlamentar - protestou o senador.
Segundo Ademir, o deputado João Batista foi vítima do braço armado do latifúndio e da União Democrática Ruralista (UDR), devido a sua luta por justiça social e pela reforma agrária. O senador denunciou a existência de uma "verdadeira indústria do crime organizado", que teria se estabelecido no Pará e em outros estados a partir dos anos 70, e, com pistoleiros e matadores de aluguel, continua eliminando lideranças políticas, sindicais e religiosas que lutam pela reforma agrária e pela justiça social no campo.
Ademir destacou ainda a importância de identificar o rumo que a Justiça brasileira adotará no próximo milênio e o seu papel como instrumento de exercício da cidadania. O senador defendeu a reforma do Judiciário, a criação de um controle externo e a idéia de que é mediante a prestação jurisdicional efetiva, sobretudo na solução dos conflitos coletivos, que se estabelecerá a cultura da credibilidade na Justiça.
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