Os recentes protestos na cidade norte-americana de Seattle contra a política da Organização Mundial do Comércio (OMC) foram citados nesta quinta-feira (dia 2) pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) como indicadores de que as mudanças a serem introduzidas pela organização no comércio mundial não poderão ser feitas sem considerar o ser humano.
Vários fatores devem ser levados em conta na análise das manifestações, na opinião de Suplicy. Em primeiro lugar, o número de manifestantes (50 mil pessoas) e a força com que agiram, levando ao cancelamento da cerimônia da abertura, onde falaria a secretária de Estado dos Estados Unidos, Madeleine Albright. O prefeito de Seattle chegou a decretar o toque de recolher, fato que não ocorria desde a Segunda Guerra Mundial.
- Desde os anos 60, não se viam nos EUA manifestações tão aguerridas, fazendo lembrar os grandes atos contra os direitos civis e a Guerra do Vietnam ¿ disse o senador.
Mas para Suplicy é importante levar em conta também que o protesto foi realizado nos Estados Unidos, onde a economia cresce sem parar há vários anos com taxas de desemprego de 4,2%, as mais baixas em três décadas. Ocorre que nos EUA, a despeito do crescimento que beneficia os mais ricos, uma ampla faixa da população, sobretudo formada por imigrantes informais, é explorada em setores como a lavoura de frutas.
Os Estados Unidos, ressaltou o senador, pretendem que a OMC imponha a países como o Brasil leis trabalhistas tão flexíveis quanto às que vigem em território norte-americano e permitir um fluxo ainda mais livre do capital, dos bens e serviços do que já ocorreu até o momento em função do processo de globalização.
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