A construção de uma agenda positiva que evite ou minimize os efeitos da economia produtiva de grande escala, baixos custos e alto impacto ambiental passa pelo desafio de conciliar a produtividade econômica com a conservação da natureza, conforme disse nesta terça-feira (dia 14) o senador Bernardo Cabral (PFL-AM) ao divulgar proposta de Samuel Benchimol, professor emérito da Universidade do Amazonas.
Uma agenda para o desenvolvimento sustentável parte da distinção entre crescimento - que exige insumos baratos e técnicas perigosas e poluidoras - e desenvolvimento, que "já engloba e inclui o conceito de sustentabilidade ecológica, viabilidade econômica, correção política e justiça social e ética", entendidos por Benchimol como paradigmas ideais para a construção de uma nova ordem mundial, comentou o senador.
Entre as 23 providências e fatores de um desenvolvimento sustentável para a humanidade propostos pelo professor amazonense, Bernardo Cabral abordou com mais detalhes os que se relacionam diretamente com a Amazônia, como a instituição do Imposto Internacional Ambiental, a ser controlado e cobrado pela tesouraria da ONU junto aos países poluidores. Os recursos recolhidos, esclareceu o senador, seriam destinados a um fundo internacional "com o objetivo de desenvolver ciências e tecnologias limpas, novos produtos sustentáveis e remunerar aqueles países e regiões que fizeram renúncias econômicas em favor da conservação e preservação ambiental dos recursos naturais florestais, pedológicos, hídricos e ecossistemáticos".
Baseando-se em estudo do cientista Philip M. Fearnside, do INPA, Benchimol prevê que a Amazônia Ocidental brasileira será a grande beneficiária dos recursos do fundo, pois a estimativa média dos serviços prestados pela floresta amazônica ao resto do mundo - sumidouro de carbono, ciclagem de água e biodiversidade - é "da ordem de US$ 236 bilhões/ano pelo seu valor máximo, US$ 38 bilhões/ano pelo valor médio e US$ 12 bilhões/ano pelo valor mínimo", citou o senador.
Em aparte, o senador Amir Lando (PMDB-RO) elogiou o destaque dado por Cabral ao trabalho do professor Benchimol, "um amazônida que reflete sobre sua realidade". Ney Suassuna (PMDB-PB) salientou a importância de uma agenda que proteja a Amazônia.
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