O senador Geraldo Cândido (PT-RJ) fez nesta segunda-feira (dia 13) um balanço da política econômica aplicada pelo governo em 1999. "Logo no começo do ano e do mandato, em janeiro, o governo teve que abandonar sua política de manutenção da cotação do real perante o dólar, a chamada âncora cambial, com a qual em seis meses torrou cerca de US$ 42 bilhões de reservas. A cotação do dólar subiu rapidamente e no final do mês ultrapassou os R$ 2,00", lembrou o senador.Para Cândido, isso não foi suficiente para o governo se convencer que deveria mudar a política econômica. "Era mais cômodo pôr a culpa na moratória decretada pelo governador de Minas, Itamar Franco, ou alegar, infantilmente, que tudo tinha sido causado por um ataque especulativo contra o real", calculou o senador. Cândido lembrou também das medidas aumentando as contribuições previdenciárias dos servidores civis ativos e instituindo contribuição para os inativos, aprovadas pelo Congresso, e o aumento da contribuição social sobre o lucro e do IOF, propostos para compensar o atraso na aprovação do aumento da CPMF. Geraldo Cândido criticou a "estranha escolha" de Armínio Fraga para a Presidência do Banco Central e recordou que ele foi o mentor das "famigeradas" contas CC5, responsáveis pelo envio de US$ 124 bilhões para o exterior entre 1992 1998. O acordo de 8 de março com o FMI, também foi criticado pelo senador, para quem os termos acertados com o fundo definem em detalhes a política econômica brasileira. Na opinião de Cândido, o resultado disso foi o agravamento da crise social. - Do ponto de vista social, o que se assistiu foi a uma acentuação ainda maior do desemprego, que atingiu níveis recordes da ordem de 20% a 25% da população economicamente ativa, segundo o Dieese. Em conseqüência, aumentou significativamente a parcela da população abaixo da linha da pobreza absoluta, que chega hoje, segundo algumas estimativas, a cerca de 30 milhões de brasileiros ¿ assinalou. Em resposta às medidas do governo, salientou o senador, a oposição mostrou-se combativa. Cândido destacou a Marcha à Brasília, que se encerrou com uma grande manifestação popular contra o governo Fernando Henrique e entregou na Câmara dos Deputados um abaixo-assinado, com mais de um milhão de assinaturas reivindicando uma CPI para investigar a privatização das empresas de telecomunicações e cujo objetivo era também a exigência do fim do governo FHC e da submissão ao FMI. Em aparte, o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) analisou a política econômica e salientou as dificuldades de aprovação da reforma tributária, nos moldes pretendidos pelo Executivo. "Nenhuma das partes envolvidas quer ceder", afirmou, ressaltando que pela reforma proposta pelo governo 70% da arrecadação iriam para a União, 26% para os estados e 4% para os municípios.
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