O aniversário da Declaração dos Direitos do Homem levou o senador Pedro Simon (PMDB-RS) a propor que o Senado, na próxima semana, aprove uma declaração de intenções para o próximo milênio, com novas idéias que transmitam esperança de melhoria de vida para milhões de pessoas que hoje têm fome e vivem na miséria.
Lembrando que o Congresso Nacional representa a sociedade brasileira, Simon perguntou qual a proposta que terá para este final de ano - diante de um quadro tão difícil -que não a tradicional. "Será que nesses 20 dias que nos faltam (para o fim do ano) nós não poderíamos pelo menos botar (uma proposta) no papel ainda que seja apenas uma nova utopia?", indagou o senador.
Simon também fez um apelo para que cada um faça aquilo que estiver ao seu alcance para diminuir o sofrimento de pessoas, principalmente crianças, que passam fome e não têm acesso aos confortos da vida.
- Será que cada um de nós tem feito aquilo que podia? Será que cada um não pode avançar um pouquinho mais? Não damos prioridade às coisas que são prioritárias. Eu devo confessar a minha parte: se as coisas vão mal é porque eu também fracassei - afirmou Simon, para quem a situação vem se agravando nos últimos anos.
Na sua cidade, Caxias do Sul, narrou, há 40 anos, praticamente não havia miséria ou desempregado e havia duas favelas onde ninguém passava fome. Hoje, continuou, a cidade tem mais de 50 mil favelados, com índices de criminalidade comparáveis aos do Rio de Janeiro e São Paulo e com pessoas morrendo de fome.
Simon criticou ainda a falta de ação do governo no combate à fome, e a utilização do argumento da falta de recursos para o corte de alimentos, como carne e macarrão, que fazem parte da cesta básica distribuída pelo governo. Em apartes, os senadores Bernardo Cabral (PFL-AM) e Leomar Quintanilha (PPB-TO) cumprimentaram Simon pela reflexão trazida ao plenário.
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