O senador João Rocha (PFL-TO) destacou a realização em Brasília, em agosto passado, do XV Congresso de Nutrição, que tratou de temas relacionados com a alimentação e a saúde da população. O senador analisou as conclusões do encontro e defendeu uma política agrícola definida e de apoio ao produtor. "Muitos esquecem que a agricultura tem sido o principal sustentáculo do Plano Real, pois o fornecimento de alimentos e matérias primas a preços baixos é a maneira mais segura de conter o processo inflacionário", afirmou João Rocha. Segundo o senador, as conclusões do congresso demonstram que o brasileiro geralmente come mal, consumindo alimentos inadequados, de forma não balanceada em termos de quantidade e de qualidade. Isso, revelou João Rocha, acaba influenciando negativamente o desempenho de estudantes e trabalhadores e afetando a saúde de idosos, gestantes e crianças. O problema da má alimentação não atinge apenas as camadas mais pobres da população. As conclusões do congresso demonstram que pessoas de nível de renda elevado estão desnutridas, descalcificadas e desmineralizadas, correndo o risco de contrair osteoporose, por terem substituído o leite por refrigerantes e doces. O senador acredita que a substituição do arroz, do feijão e do leite por sanduíche, refrigerante, batata frita e salsicha, não prejudica só a saúde do brasileiro, mas também a agricultura e a economia nacional. - Nossas contas externas, tão castigadas ultimamente, são oneradas até mesmo com a importação de batatas fritas; batatas sofisticadas, caríssimas, com belas embalagens, símbolo do desperdício nacional, incompatível com um país de grande vocação agrícola e com um enorme volume de mão-de-obra necessitando de um emprego produtivo. Os produtores de leite nacionais são obrigados a vender o produto por preços aviltados, a enfrentar a concorrência predatória de países que subsidiam fortemente o setor agropecuário e que, por isso, detêm elevados níveis de tecnologia na produção, processamento, comercialização e exportação de leite e derivados - avaliou João Rocha. Para o senador, o Brasil ainda não tem uma "verdadeira política agrícola, que beneficie o produtor, o homem que gera riqueza e emprego, que investe no campo, contribui para diminuir o êxodo rural e gera divisas necessárias para financiar nossas importações". João Rocha disse que, no Brasil de hoje, o grande beneficiário da geração de renda tem sido o especulador, que nada produz e apenas se dedica a engendrar grandes jogadas financeiras e esquemas de lucros espetaculares. O senador fez um apelo ao governo federal para que preste todo o apoio necessário à agricultura e à pecuária nacionais.
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