O senador José Eduardo Dutra (PT-SE) fez hoje (dia 7) um balanço positivo da participação das oposições nas eleições. Ele considerou satisfatória a atuação de seu partido, levando em conta "a poderosa aliança que se formou em torno da candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso". Dutra considerou despolitizada a campanha deste ano. - Os grandes partidos, a grande parte dos meios de comunicação e poderosos setores da economia se aliaram ao presidente e procuraram retirar toda a emoção da campanha e todo o debate sobre as propostas dos candidatos - analisou o senador. José Eduardo Dutra creditou aos meios de comunicação uma parcela importante de culpa neste fenômeno. Ele cita como exemplo a ausência de debates na campanha presidencial. O senador lembra que houve um encontro entre os candidatos ao governo do estado de São Paulo, sem a presença do candidato do PDT, Francisco Rossi, o que mereceu a desaprovação dos promotores do debate, o jornal Folha de S. Paulo e a TV Cultura. José Eduardo questiona o tratamento diferenciado dado à eleição presidencial. - Por que os meios de comunicação não fizeram o mesmo em relação à Presidência da República? Porque o objetivo era tratar a eleição no Brasil como se ela se passasse no Afeganistão - lamenta o senador. O tratamento dado à candidatura petista pela mídia também mereceu a reprovação do senador sergipano. Ele disse que a associação feita entre a candidatura de Lula e a queda das bolsas e a fuga de capitais mostrou-se incorreta. "Esses fatos não estão relacionados com a eleição, e sim com a política econômica implantada pelo governo", alerta. O senador Josaphat Marinho (PFL-BA) também fez críticas ao processo eleitoral deste ano, que ele considera prejudicado pelos abusos decorrentes do instituto da reeleição. Ele lembrou que a própria assessoria do presidente Fernando Henrique Cardoso teve dificuldades em determinar os eventos a que ele compareceria. "Não se sabia se quem estava na tribuna era o presidente da República ou o candidato. Ele acabou comparecendo a tudo, nas duas qualidades", declarou o senador baiano. PESQUISAS ELEITORAIS José Eduardo se disse especialmente preocupado com a atuação dos institutos de pesquisa eleitoral e com a forma como seus resultados são divulgados pela imprensa. Para ele, o país se encontra diante de um dilema. "Temos que definir o que é mais importante: o direito à informação sobre a performance dos candidatos ou o direito de escolher o seu candidato, baseado apenas em suas propostas", explica. José Eduardo defendeu a criação de uma "quarentena" para a publicação dos resultados das pesquisas. - Com ou sem reforma política, o Congresso tem que se debruçar sobre isso. Sou a favor da fixação de uma data limite para a divulgação de pesquisas, mesmo que para isso seja preciso mudar a Constituição - afirmou. Em aparte, o senador Lauro Campos (PT-DF) disse que os institutos de pesquisa agrediram a democracia em nome da liberdade. "Liberdade de mentir, distorcer, de fabricar imagens falsas e consciências enganadas", acusou o senador.
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