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CABRAL ALERTA PARA CONTAMINAÇÃO DOS RIOS AMAZÔNICOS POR MERCÚRIO

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 7 de outubro de 1998
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A contaminação dos rios amazônicos pela descarga do mercúrio utilizado na mineração de ouro exige uma ação decidida do Estado, em suas várias instâncias, no sentido de reeducar a população garimpeira e prepará-la para a adoção de tecnologias limpas e desenvolver processos despoluidores adequados ao ecossistema amazônico, defendeu hoje (dia 7) o senador Bernardo Cabral (PFL-AM). Outras medidas sugeridas pelo senador foram a eliminação dos bolsões de poluição espalhados pela Amazônia Legal e, enquanto os níveis de contaminação não forem aceitáveis para a vida humana e animal, a criação de peixes em viveiros suspensos, sem contato com os sedimentos depositados no fundo dos rios e lagos. Para a correção dos erros cometidos com a mineração e a criação de tecnologias adequadas, o senador disse esperar "que a elite intelectual lhes dê o competente encaminhamento de solução". Ele destacou que, a cada quilo de ouro extraído na região, é utilizada a mesma quantidade de mercúrio, do qual 40 a 45% são despejados nos rios, numa poluição que não é transitória nem autocorrigível, mas "ativa e de difícil eliminação sem a ação decisiva do homem no seu combate", alertou. Conforme dados de 1995 citados pelo senador, a exploração do ouro na Amazônia despeja 120 toneladas anuais de mercúrio, metal pesado que, depositado nos leitos dos rios e lagos, é absorvido pelos peixes consumidos pelas populações ribeirinhas. Cabral lamentou que a experiência mundial e nacional com esse tipo de poluição ambiental ainda não tenha mobilizado o governo e a imprensa. O senador lembrou a catástrofe de 1932 na baía de Minamata, no Japão, em que o mercúrio despejado pelas indústrias até hoje está na origem de degenerações genéticas em bebês. Destacou também como a Europa teve que enfrentar a poluição dos rios Reno e Tâmisa, sob pena de aniquilar "não só as populações ribeirinhas, mas, também, a própria atividade econômica geradora do problema".

 

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