O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) definiu em discurso nesta sexta-feira (dia 30) o programa de ajuste fiscal como um remédio amargo que está sendo imposto pelo governo à população, sem discussão prévia com o Congresso Nacional. Para o senador, ao garantir que não pretende mudar a política cambial e que a elevação dos juros vai segurar a estabilidade do real, o governo "age impositivamente e de forma discricionária" porque, tendo maioria no Congresso, conta com a aprovação do ajuste. Valadares acredita que se o governo discutisse de forma democrática o problema do câmbio - "questão nevrálgica que vem desacreditando o Brasil" - o país estaria hoje em uma situação mais confortável. Ele lembrou que inclusive economistas estrangeiros são unânimes em criticar a atual política de sobrevalorização do câmbio e disse que "não é possível que somente a equipe de Pedro Malan esteja certa". O Congresso, disse o senador, talvez possa aperfeiçoar o programa de ajuste, mas esta será uma tarefa difícil porque a filosofia principal é a de manutenção da política de câmbio, "que o governo teimosamente defende". O senador também criticou os sacrifícios impostos aos servidores públicos, que estão há quatro anos sem aumento e solidarizou-se com todos os brasileiros que serão atingidos pelo programa de ajuste. Valadares disse ser lamentável que o presidente Fernando Henrique Cardoso, em vez de estudar um plano viável de combate à crise, antes das eleições, preocupou-se apenas "em viabilizar o projeto pessoal da sua reeleição". Em aparte, o senador Ademir Andrade (PSB-PA) disse que não existe dinheiro para o que é fundamental ao desenvolvimento do país, mas o dinheiro para pagar o serviço da dívida é "imexível". Esses recursos, segundo ele, chegam hoje a quase 50% do orçamento. Para o senador, é preciso refletir sobre a real preocupação do governo: se é resolver os problemas do país ou pagar a conta aos banqueiros nacionais e internacionais.
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