"O momento não é de ser governo ou oposição, a crise é do Brasil e precisa ser solucionada", afirmou nesta sexta-feira (dia 30) o senador Artur da Távola (PSDB-RJ), admitindo que o governo errou ao adiar a adoção de medidas agora reconhecidas como urgentes. - A reeleição representou um prejuízo para as reformas porque parou o Congresso por um ano e impediu que a reforma tributária, a mais importante delas, fosse debatida e aprovada - disse. Para Távola, a crise é tão grave que os parlamentares precisam trabalhar lado a lado. - É pretensão descabida achar que o governo tem todas as respostas e que está certo ao punir o funcionalismo público como se este fosse responsável pela crise. Tampouco a oposição está certa, ao responsabilizar o governo pelas dificuldades sociais do país, que resultam de séculos de atraso - disse ele. O senador defendeu que o certo é apresentar alternativas: "Essa foi a posição da bancada do PSDB no Senado: aceitar como meta do ajuste os R$ 28 bilhões fixados pelo governo e procurar as melhores e mais criteriosas soluções para chegar a esse montante. Não é de hoje que o Estado está falido, mas agora chegamos ao limite do suportável e um ajuste profundo não pode ser mais adiado". Artur da Távola alertou para a dramaticidade do momento que o país está vivendo. - Somente na Constituinte as decisões que foram tomadas no Congresso tiveram tanta importância para a vida do brasileiro. O país está no limiar de um novo ciclo histórico, passando de país atrasado para a modernidade. Se a crise não for debelada, seremos responsáveis pelo fim de um sonho. Os parlamentares precisam ter a coragem de aprovar medidas impopulares mas necessárias, superando a falsa dicotomia do bem e do mal - concluiu. APARTES Em aparte, a senadora Marina Silva (PT-AC) afirmou que não pretende adotar a postura de Pôncio Pilatos, lavando as mãos diante de uma crise que não ajudou a criar. - Mas exijo que o governo tenha a humildade de discutir esse pacote com os governadores eleitos, que serão diretamente atingidos pelas medidas. A reeleição engessou o governo. Ele não tomou as medidas desgastantes, mas necessárias, porque priorizou o que era funcional para a reeleição. O líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), voltou a insistir que o Congresso precisa discutir a crise sob a ótica do Brasil. - Se dermos 0,8 grama de antibiótico ao doente que precisa de um grama, ele não se curará, apesar de sofrer os perversos efeitos colaterais. Vamos esquecer o palanque. Devemos discutir se a medida A é melhor do que a B, sem nos deixarmos seduzir pelo ajuste meia-sola. A meta do ajuste é R$ 28 bilhões e disso o governo não abre mão - disse.
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