A senadora Benedita da Silva (PT-RJ) protestou contra o que considera a destruição do serviço público no país e a maior penalização de uma categoria profissional já tão desfavorecida, "estigmatizada que vem sendo há muitos anos por demagogos e cortesãos do governo". Benedita fez estas observações a propósito do Dia do Servidor Público, celebrado no último dia 28. Dizendo-se possuída por forte desalento e imensa perplexidade, a recém-eleita vice-governadora do Rio de Janeiro perguntou o que dizer àqueles aos quais compete zelar pela coisa pública após o anúncio do projeto de ajuste fiscal. "Como congratular uma categoria profissional que vem, ano após ano, sendo submetida à mais torpe perseguição e implacável campanha de desmoralização, para a qual o governo dispõe de recursos da mídia moderna?", indagou.. A senadora lembrou que há anos vem protestando e advertindo para os danos incalculáveis acarretados ao país pelo desmantelamento do serviço público brasileiro, "enquanto se esvaziam os cofres públicos, com veloz desnacionalização de nossa indústria e a venda de nosso patrimônio público". Benedita da Silva também criticou o projeto de ajuste fiscal do governo, chamando a atenção para o fato de que o teor das medidas foi mantido em segredo até que as eleições terminassem e que as únicas informações sobre as negociações entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) só estavam disponíveis na imprensa internacional. - Na verdade, surpresa alguma nos adveio dessa famigerado pacote, mais um que se somará a tantos outros que vêm construindo a ruína de nosso país, por meio de incessantes afrontas a nossa soberania. O que distingue o novo pacote de seus anteriores é, substancialmente, seu terrível potencial de acarretar males maiores a nossa gente, condenando o Brasil à dura recessão a que não resistirá o que nos sobra da indústria nacional - afirmou a senadora. Segundo Benedita, os servidores e os aposentados mais uma vez foram escolhidos para "vítimas prediletas de burocratas emperdenidos, sempre solícitos ante o FMI, cuja ação haverá de ser apurada mais cedo do que hão de supor". A senadora disse que, em poucos anos e graças à equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso, a dívida brasileira foi elevada a níveis jamais imaginados, e chamou a atenção para as advertências feitas pela deputada Maria da Conceição Tavares, registradas nos Anais da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional. Benedita ainda citou artigo de Celso Pinto, publicado na Folha de S. Paulo, no dia da eleição em segundo turno. No artigo, explicou a senadora, o articulista mostra que "pacote algum aliviará o Brasil das aperturas em que foi lançado pelo atual governo, mesmo que conclua seu extenso programa de privatizações, vendendo, inclusive, o Banco do Brasil e a Petrobrás. Didaticamente, mostra o jornalista Celso Pinto que nem a venda do que resta de patrimônio nem qualquer esbulho via novos impostos ou aumento dos existentes retirará o Brasil da vulnerabilidade a que foi condenado pelo governo de Fernando Henrique". - A cada pacote que multiplica o sofrimento de grande parte dos brasileiros, vemos a incapacidade do governo para encontrar soluções para dificuldades por ele mesmo criadas e ampliadas, daí a contínua extorsão a que submete os trabalhadores, ampliando a carga fiscal e multiplicando juros já absurdos - ressaltou Benedita da Silva.
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