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REQUIÃO DIZ QUE O BRASIL ESTÁ EM UMA ENTALADELA

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 29 de outubro de 1998
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Certo de que a situação econômica brasileira é muito mais grave do que se anuncia, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) alertou o plenário para o risco de o governo ter perdido o controle dessa crise. "Estamos em uma entaladela. Dessa entaladela não sairemos com os enlatados de sempre do Fundo Monetário Internacional", advertiu o parlamentar. Requião disse que a situação em que o Brasil se encontra decorre de um modelo econômico fundado no seguinte: política cambial irrealista, supervalorização da moeda, redução das tarifas, abertura sem limites, alta dos juros, destruição do aparelho produtivo e queda das exportações. Enquanto isso, avisou, mais de um quarto do parque industrial brasileiro está ocioso, significando essa ociosidade US$250 bilhões parados em máquinas, tecnologia e instalações. Na opinião de Requião, o maior risco à sobrevivência do Brasil como povo e nação é o presidente Fernando Henrique Cardoso e a sua política de dependência. Ele entende que, enquanto o presidente abriu o mercado brasileiro, outros chefes de Estado, como Bill Clinton, reforçaram suas barreiras alfandegárias, não-alfandegárias e fitossanitárias, barrando exportações brasileiras. - Na sua ingenuidade absoluta ou má fé, o presidente destruiu a capacidade industrial brasileira instalada. Ele sonhava com a exportação de minérios e com o faturamento brutal que teria, vendendo a Companhia Vale do Rio Doce, que não precisava ser vendida, mas era a venda emblemática para o projeto que anunciava ao mundo - argumentou o senador. Enumerando algumas das conseqüências da "política fernando-henriquista", Requião disse que o Brasil hoje importa trigo, algodão, milho, arroz, feijão e leite. Em razão disso, só neste primeiro quatriênio do governo, mais de 500 mil unidades produtivas rurais encerraram suas atividades. A contrapartida desse sacrifício, segundo o parlamentar, é o contencioso agrícola Brasil-Estados Unidos - em termos globais, as compras brasileiras naquele país cresceram 222%, enquanto as exportações brasileiras cresceram apenas 22%. Com esse contencioso, Requião entende que é inadmissível entrar na Alca (Área de Livre Comércio das Américas) nos termos que os americanos querem. "Entre outras coisas eles pretendem que o Mercosul seja extinto. Não é preciso sagacidade alguma, até mesmo alguém da equipe econômica de Fernando Henrique pode intuir o que será do Brasil com a Alca, com a dissolução do ainda tímido Mercosul nesse novo mercado", analisou ele. No entender de Requião, se até agora o presidente da República não fez nenhum movimento em defesa do país, quando retaliado e humilhado pelo protecionismo americano, e se abriu a economia sem nada exigir em troca, como esperar qualquer atitude enérgica ao plano americano de uma nova colonização da América Latina via Alca? Sarcasticamente, o senador disse que talvez o chefe do Executivo "considere a Alca o movimento decisivo para desnacionalizar de vez o Brasil".

 

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