O Brasil, na visão da senadora Júnia Marise (PDT-MG), tem dois ministros da Fazenda, um num tempo e outro no outro. Falando depois da exposição de motivos de Pedro Malan no plenário do Senado, a parlamentar lembrou que ele sempre garantiu, nos últimos dois ou três anos, que o Brasil não seria atingido pela crise, já que tinha uma economia estável. - Essa sempre foi a resposta do ministro da Fazenda nos últimos dois, três anos. Ele sempre dizia: o Brasil não será a bola da vez. Por isso, afirmou, ninguém agora acredita quando o ministro diz que a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) será aumentada em 1999, voltando aos patamares de hoje no ano 2000. - No Brasil, nenhum cidadão acredita nessa afirmação feita hoje de manhã pelo ministro da Fazenda - disse Júnia, lembrando que a CPMF é um imposto que veio sob a égide de provisório mas que, a cada prorrogação, tem tido seu valor aumentado pelo governo. Para ela, o ministro não tem mais credibilidade para dizer que a alíquota diminuirá. A senadora previu que o governo não cumprirá a meta - por ele próprio estabelecida - de cortar seus gastos em R$ 8,6 bilhões. Ela observou que não estão sendo extintos cargos, o que já demonstra que o governo não está fazendo sua parte, ao mesmo tempo em que aumenta a quantidade de recursos destinados à publicidade. Júnia Marise lamentou que o governo utilize a CPMF não para o custeio da saúde, como proposto originalmente, mas para o pagamento da dívida pública. Ela previu que, com o aumento da alíquota da CPMF, "o processo de quebradeira de empresas vai aumentar no país". Com o aumento de falências, lembrou a senadora, deve aumentar também o desemprego, cujo combate foi o bordão da campanha do presidente reeleito. Outra crítica da senadora foi dirigida à ausência de um "aceno objetivo" na questão da redução da taxa de juros. Ela observou que o governo apenas diz que vai se empenhar. Júnia voltou a criticar a quebra das regras do jogo por parte do governo, ao ampliar a contribuição previdenciária dos funcionários públicos federais, estendendo-a também aos aposentados e pensionistas. - Trata-se de uma injustiça e uma ilegalidade política que poderá ser questionada em nossos tribunais - afirmou. Júnia Marise também lastimou a falta de participação da sociedade brasileira na discussão. - Todas as iniciativas e pacotes, como ocorreu no final do ano passado, têm sido aprovados sem um debate amplo por parte da sociedade brasileira. A equipe econômica veio hoje ao Senado, provavelmente irá amanhã à Câmara, mas a sociedade não participa.
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