Para impedir que o ministro Pedro Malan envolva os congressistas "em números falsos e análises distorcidas", o senador Roberto Requião (PMDB-PR) apresentou requerimento à Mesa pedindo que ele responda, durante sua apresentação de amanhã (29) nas comissões do Senado, ou em data posterior, na Comissão de Assuntos Econômicos, aos pontos que ele levantou em seu pronunciamento de hoje (28), no plenário. Em apartes, os senadores Josaphat Marinho (PFL-BA), Lauro Campos (PT-DF), Pedro Simon (PMDB-RS) e Ernandes Amorim (PPB-RO) aplaudiram as teses expostas por Requião e concordaram com as dúvidas que ele levantou em seu discurso. Simon propôs que o documento fosse imediatamente enviado a Malan para que ele preparasse suas respostas. Para José Eduardo Dutra (PT-SE) o governo propôs um pacote recessivo sem parar a sangria dos juros. "E veio nos pedir para ajudá-lo nessa tarefa inglória de enxugar gelo", disse, dando apoio à tese de Requião de que os problemas centrais do país são os juros e o serviço da dívida interna. Segundo o senador Eduardo Suplicy, o pacote apresentado hoje, pelo ministro Malan, não inclui medidas que revertam os erros principais do governo de sobrevalorizar o câmbio e promover uma abertura abrupta demais às importações, fatores que levaram à necessidade de atrair capitais a taxas de juros cada vez mais altas. "Também não manifestou preocupação com o combate ao desemprego", criticou. Para concluir, Requião afirmou que o pacote do governo seria levado mais a sério no Congresso se incluísse uma proposta de licitação do Palácio da Alvorada para utilização de um "buffet", bem como a imediata mudança do presidente Fernando Henrique Cardoso para um apartamento funcional. "Uma providência como essa estaria de acordo com os sacrifícios que o governo está propondo aos demais brasileiros".
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