Em discurso muito aparteado, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) contestou a análise do governo sobre a crise econômica, afirmando que o pacote de medidas proposto hoje (28) não trará o esperado desenvolvimento do país, com a geração de empregos que todos desejam. "O rombo das contas públicas se deve, na proporção de 80%, aos juros e apenas 20% às despesas do Estado. Como resolver a questão se é justamente na parcela menor que o governo propõe cortes?", perguntou. E prosseguiu: "O governo propõe um ajuste fiscal enquanto mantém 40% de juros internos. Isto pesa muito mais do que os impostos, os encargos trabalhistas, a Previdência, a folha de pagamentos do funcionalismo e todos os vilões de gastos que o governo está apontando", disse. Requião propôs que os senadores "questionem para valer" o ministro da Fazenda, Pedro Malan, que virá amanhã (29) ao Senado para explicar a urgência dos parlamentares aprovarem o pacote. Para o senador, a resposta para a crise passa por um movimento corajoso pela recuperação da capacidade produtiva do país, uma política industrial e agrícola consistente, uma política agressiva de exportações e um esforço pela geração de empregos que não se resuma a "promessas falsas de uma campanha eleitoral falsificada". "Mais de um quarto do parque industrial brasileiro resta ocioso, o que representa US$ 250 bilhões parados em máquinas, tecnologia, instalações. Dinamizar este parque não seria o caminho certo para obter crescimento de 5% a 6% na economia e absorver parte dos 1,8 milhão de jovens que, por ano, procuram emprego? Precisamos de uma política industrial que troque a ociosidade por movimento, criando empregos, gerando rendas, impostos e consumo", argumentou Requião. O senador pelo Paraná conclamou o empresariado nacional, sindicato dos trabalhadores, partidos, Congresso Nacional, brasileiros em geral que ainda não se curvaram à "maluquice globalizante", a resistirem à política econômica do governo. "Vamos firmar um pacto nacional que devolva aos brasileiros sua confiança na capacidade nacional de debelar a crise e fazer o país crescer novamente, com produção, empregos, segurança e bem-estar", concluiu.
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