O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, afirmou que, com o resultado das urnas no segundo turno das eleições estaduais, o poder está melhor dividido entre os partidos políticos. "Isso é bom para democracia e para o país", nesta segunda-feira (dia 26), ao chegar ao Congresso Nacional. Com essa interpretação, Antonio Carlos não acredita que tenha havido uma vitória da oposição, como revelam avaliações feitas pela imprensa. Para o presidente do Senado, em São Paulo a frente "anti-malufista" foi auxiliada "por toda a imprensa e por certos erros dos institutos de pesquisa". O pior deles, na opinião de Antonio Carlos, foi o do Ibope, que, na última quarta-feira, dispunha de uma pesquisa em que o candidato do PPB, Paulo Maluf, tinha seis pontos de vantagem em relação ao candidato do PSDB, Mário Covas, e não a publicou: - O instituto não divulgou a pesquisa depois de tê-la registrado no TRE. Isso não é correto - disse Antonio Carlos, para quem os erros das pesquisas de opinião no segundo turno foram flagrantes. Apesar da derrota de Maluf, o presidente do Senado considera que a aliança do PFL ao candidato do PPB foi vantajosa. Segundo Antonio Carlos, um candidato que tem oito milhões de votos em São Paulo é um bom aliado: - Tínhamos dois deputados federais em São Paulo, agora temos oito - afirmou. Sobre a formação de um bloco integrado pelo PFL, PPB e PTB, Antonio Carlos disse entender que a união de forças pode ser útil, mas observou que quem trata desse assunto é o presidente do PFL, o senador eleito Jorge Bornhausen (SC). AJUSTE FISCAL Antonio Carlos acredita que a dificuldade para aprovar o ajuste é maior depois do resultado das urnas no segundo turno, em que muitos aliados do governo foram derrotados: - As pessoas sofridas com a derrota são mais difíceis de convencer. Mas nós vamos fazer o possível, levando em conta a necessidade de o Brasil aprovar o seu ajuste fiscal com maior rapidez para que possamos dar interna e externamente demonstrações de que estamos mudando o modelo econômico - disse. O presidente do Senado interpreta que não há possibilidade de adiar mais a votação de medidas de ajuste das contas públicas: - É inevitável que se aprovem as medidas agora. Deveria ter sido ontem. Não fizemos ontem, temos que fazê-lo amanhã. O presidente está ouvindo os vários segmentos da sociedade. Nós, do Congresso, também temos que ouvir os vários segmentos. Afinal de contas, temos o dever, perante a nação, de fazer um ajuste fiscal, mas não de fazer aquilo que o Executivo queira, agindo como um carimbo. Esta Casa tem independência e vai agir mais uma vez com independência - declarou Antonio Carlos Magalhães.
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