O professor de economia Dércio Munhoz, da Universidade de Brasília, acredita que o aumento de impostos prometido pelo governo é ineficiente para aumentar a arrecadação. Dércio Munhoz é o entrevistado do programa Agenda Econômica, que a TV Senado apresenta nesta quarta-feira, às 13h30, com reprise às 19h30. Para ele, o que faz a arrecadação crescer é o aumento do número de empresas e salários melhores. Respondendo a perguntas dos jornalistas Helival Rios e Beto Almeida, Munhoz prevê também que a crise japonesa, se não for contida a tempo, pode ser o estopim de uma nova depressão mundial. O remédio para evitar essa possível catástrofe, diz o professor, é uma ação coordenada dos bancos centrais de todos os países do mundo, para estabilizar o fluxo mundial de capitais e frear o pânico, que já tomou conta dos mercados. Para o economista, o artificialismo cambial criado com o Plano Real, em um primeiro momento, foi benéfico. No entanto, deveria ter sido utilizado durante um prazo mais curto. Segundo Munhoz, o equilíbrio das contas na Argentina somente foi possível devido ao grande aumento de suas exportações para o Brasil. Este, por sua vez, não contou com um país vizinho que absorvesse grande parte de sua produção. O professor considera antiética a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a saída de capitais, já que quando esse dinheiro entrou no país não havia a previsão dessa cobrança. Agora, afirma, é preciso encontrar o equilíbrio na hora de erguer barreiras para a importação ou mesmo para baixá-las demais. Dércio Munhoz diz ainda que o Fundo Monetário Internacional (FMI) é ignorante, por desconhecer as peculiaridades de cada país. Ele lembrou que Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, defendeu a extinção pura e simples do FMI.
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