A senadora Marina Silva (PT-AC) disse hoje (dia 23) que o governo brasileiro precisa definir uma proposta, visando impedir o aumento da devastação da floresta amazônica, e apresentá-la ao mundo para buscar uma posição de liderança na vanguarda do desenvolvimento ambiental entre os países do hemisfério Sul. Tal proposta, a seu ver, já poderia estar incluída entre as que serão encaminhadas à IV Conferência das Partes, que será realizada em Buenos Aires no início de novembro, quando serão discutidas alternativas de desenvolvimento sustentável. A senadora abordou o assunto no Seminário Sobre Climas e Ecossistemas Brasileiros, que está sendo realizado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e será encerrado no início desta tarde. Ela lembrou que o Brasil já tem propostas de desenvolvimento "limpo" como a do aproveitamento de suas riquezas naturais, entre elas os recursos hídricos, "mas até momento não desenvolveu uma ação radical para extinguir a ação predatória contra áreas ainda intactas de florestas". O aumento da devastação provoca mais emissão de gás carbônico (CO2) na atmosfera e traz como conseqüência o aquecimento da Terra, explicou. Marina Silva disse que um dos pontos básicos do seminário é a discussão sobre o mecanismo global que vem sendo adotado para reduzir a emissão de gases poluentes pelos países considerados ricos, chamado de "sumidouros de carbono", que tem a participação fundamental dos países detentores de grandes florestas e recursos energéticos naturais. Segundo essa iniciativa, a manutenção de florestas já existentes e as atividades de reflorestamento permitem que o CO2 emitido na atmosfera seja "seqüestrado" pelo Oceano e pela vegetação, principalmente do cerrado e da Amazônia, que retém o gás no solo impedindo a sua expansão e o aumento da temperatura do planeta. Conforme explicou o palestrante Rubens Bonr, representante da ONG Vitae Civilis, essa atividade, que está sendo adotada por determinação da conferência de Kyoto, no Japão, cria um mercado para alimentar o processo de despoluição, uma vez que os países mais adiantados em tecnologia com essa finalidade passam a ter créditos junto à comunidade internacional e pagariam aos países do hemisfério Sul pelo "seqüestro do carbono". Essa novidade, no entanto, deveria caminhar em conjunto com alternativas de prevenção e educação sócio-ambiental para o desenvolvimento econômico de determinadas regiões do planeta, evitando que a atividade "estacione no nível meramente mercadológico", acrescentam os ambientalistas presentes ao seminário.
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