Todas as pessoas que professam uma fé têm o direito de manifestar suas opiniões políticas, mas o que está ocorrendo em Brasília é manipulação da fé, o que é inadmissível do ponto de vista da democracia e do respeito ao povo evangélico, disse hoje (dia 21) a senadora Marina Silva (PT-AC). O registro foi feito a propósito de material de campanha do candidato Joaquim Roriz dirigido aos evangélicos, particularmente o panfleto "A Face Oculta do PT, publicado pelo suposto Instituto de Teologia Mundial, em que o governador Cristovam Buarque e seu partido são associados ao mal, ao demônio "e outras asneiras". Segundo Marina, os evangélicos não têm a prática de fazer exegeses da Bíblia e, conforme o pastor Peniel Pacheco, candidato a vice-governador na chapa do senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), o panfleto contra o PT "coloca os evangélicos em situação constrangedora". Outro aspecto desse tipo de campanha, chamada pela senadora de "terrorismo", está em que os adversários do atual governador do Distrito federal comportam-se como "profetas de encomenda, figuras rechaçadas na Bíblia". Afirmando-se como católica que se identificou com o PT em sua trajetória cristã, Marina Silva destacou que, na Bíblia, os profetas de encomenda são aqueles que, ao tentarem amaldiçoar o povo de Israel, tiveram de transformar a maldição em bênção. "É o que espero: que todas as mentiras e calúnias contra Cristovam se transformem em bênção". Quanto às associações feitas ao 13, número com que Cristovam concorre à reeleição, a senadora recomendou a leitura do Salmo nº 13, em que se lê: "Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo?" Ou, nas palavras da própria Marina: "Até quando, meu Deus, irás permitir que meus adversários fiquem assacando contra minha honra?" Na opinião da senadora, os adversários do candidato do PT entraram na disputa política para desejar o mal, tanto que "não dizem o bem que desejam fazer".
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