Será considerada fraudulenta a pesquisa eleitoral, divulgada nos cinco dias anteriores ao pleito, que apresentar uma diferença superior à margem de erro prevista pela empresa pesquisadora. Isso é o que prevê projeto de lei apresentado hoje (quarta, 21) pelo senador José Eduardo Dutra (PT-SE), o qual sustenta que a punição evitará possíveis manipulações de pesquisas para influenciar os eleitores no final das campanhas. - Vimos nas últimas eleições diferenças gritantes entre algumas pesquisas de última hora e o resultado das eleições, inclusive para senador. Todos nós sabemos que as pesquisas podem induzir os eleitores - justificou. Além de estabelecer parâmetros para apontar uma pesquisa como fraudulenta, o projeto de José Eduardo Dutra proíbe a divulgação de pesquisas nos dois dias anteriores à eleição até o fechamento das urnas. Ele não acredita que o projeto irá ferir a liberdade de imprensa por impedir a divulgação de pesquisas nas vésperas das eleições. "A liberdade de comunicação não pode servir de biombo para a perfídia que visa a macular o processo eleitoral", afirmou. O senador lamentou que emissoras de rádio e televisão tenham divulgado pesquisas de "boca de urna" logo após as 17 horas do último dia 5, quando em muitos estados do Norte e Centro-Oeste a votação só seria encerrada de uma a três horas depois. Nesses estados, afirmou Dutra, o presidente Fernando Henrique Cardoso teve votações mais elevadas. "Quantos eleitores mudaram o voto por causa da pesquisa de "boca de urna"? Em aparte, o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) observou que a forma de divulgação das pesquisas também induz o eleitor. "Às vezes, um candidato cai 2 pontos percentuais e se divulga de má fé que ele despencou".
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