A situação atual da economia brasileira e suas conseqüências sobre a sociedade exigem que, no momento da discussão e votação das medidas fiscais, senadores e deputados "deixem de lado partidos e divergências e examinem o assunto do ponto de vista do interesse nacional", disse o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE). Ele preferiu não se manifestar sobre as medidas que vêm sendo antecipadas pela imprensa, como o aumento da alíquota da CPMF e a cobrança de contribuição previdenciária dos servidores aposentados. - Só posso adiantar que aumentar impostos hoje no Brasil é complicado - garantiu. Uma vez que o Congresso Nacional ainda desconhece as medidas do ajuste fiscal, Alcântara observou que neste momento talvez seja melhor adotar-se um estilo mais discreto, "inclusive para evitar que os lobbies tentem influenciar na escolha das propostas". - No entanto, quando elas forem enviadas ao Legislativo, espero que o presidente da República entenda que o Congresso poderá modificá-las - frisou o senador. O importante para Alcântara é que, quando esse conjunto de medidas for apresentado à Nação, "ele venha claro e sem truques". PINOCHET Sobre o processo de extradição para a Espanha e a prisão em Londres do ex - ditador chileno Augusto Pinochet, o senador propõe que a questão seja vista sob dois ângulos. O primeiro considera o desempenho do general como alguém que contribuiu para asfixiar a democracia em seu país e foi, no mínimo, conivente com um grande número de atentados aos direitos políticos e democráticos dos chilenos. Sob este aspecto, Alcântara concorda que "Pinochet merece a condenação." Quanto aos aspectos jurídicos, Alcântara disse concordar com a declaração de Fidel Castro, que considerou a prisão "ilegal". Para ele, antes de as medidas serem efetivadas, é necessário observar a necessidade do julgamento e o direito de defesa do acusado.
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