"Se o presidente da República quiser mesmo taxar as grandes fortunas, terá o apoio da oposição", afirmou hoje (20) o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), ao sustentar que isso não significa que o governo deve aproveitar-se dessa disposição para querer aprovar outras iniciativas sacrificando mais ainda a população. Conforme o senador, esse projeto de taxação das grandes fortunas tem sido acionado pelo governo como uma isca para fazer o Congresso aprovar medidas impopulares. Ele disse que o governo não precisa barganhar com a oposição para aprovar uma proposta como essa, até porque a matéria já está sujeita à votação da Câmara, com um parecer favorável da deputada Maria da Conceição Tavares (PT-RJ). Dutra ressaltou que, assim como o governo está aprontando um pacote para enfrentar a crise econômica, seu partido também estuda um conjunto de medidas para dominar a crise, entre elas projeto para aumentar a alíquota dos impostos sobre o lucro líquido dos bancos. Conforme o parlamentar, as medidas em estudo pelo seu partido visam taxar não o assalariado, mas o capital. LEI ELEITORAL Dutra também informou que apresenta amanhã (dia 21) projeto de lei modificando a lei eleitoral, a fim de impedir a divulgação de pesquisas dois dias antes do pleito. O parlamentar argumentou que, assim como a lei determina que a campanha e a transmissão da propaganda política se encerrem dois dias antes da eleição, deve estender essa proibição à divulgação das pesquisas. O senador afirmou que essa proibição já existe em países como Áustria, França e Portugal, devendo ser adotada no Brasil como uma forma de evitar pesquisas diferentes dos resultados, como aconteceu em São Paulo, Goiás, Brasília, Rio Grande do Sul, Amazonas e Pará. Ele declarou que seu projeto acaba também com a divulgação de pesquisas de boca-de- urna. Para José Eduardo Dutra, as pesquisas exercem um papel de indução do eleitorado, dando margem a muita manipulação. Ele reconheceu que, mesmo com a proibição, algum tipo de brecha sempre será encontrada para a divulgação de pesquisas, como a sua publicação em jornais do Paraguai. Segundo o senador, no entanto, divulgar uma pesquisa no jornal de um outro país não tem a mesma propagação de uma notícia dada, por exemplo, no Jornal Nacional, da TV Globo. Ele esclareceu que seu projeto pune igualmente os meios de comunicação que divulgarem o resultado de pesquisas no curso de 48 horas antes da eleição.
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