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REQUIÃO DENUNCIA IRREGULARIDADE NO BANCO DO PARANÁ

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 19 de outubro de 1998
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O senador Roberto Requião (PMDB-PR) registrou hoje (dia 19) denúncia que recebeu a respeito de operações feitas no Banco do Estado do Paraná (Banestado) para pagamento de dívidas da campanha eleitoral do vice-prefeito de Curitiba, Algaci Tulio. A operação, segundo Requião, consiste na compra de precatórios - a preço abaixo do valor de face, com dinheiro obtido através de empréstimo no Banestado - que são depois revendidos ao próprio banco pelo valor de face. A documentação recebida por Requião, escriturada em cartório, cita os casos de três empresas paranaenses. A AT Computação Gráfica Ltda., cujo capital social é de R$ 10 mil e crédito máximo de R$ 1 mil, conseguiu empréstimo no Banestado no valor de R$ 1.797.429,91 e quitou a dívida com a dação de precatório. A empresa conseguiu ainda um desconto de aproximadamente R$ 500 mil "para quitação através do valor facial do precatório". - A AT Computação Gráfica é de propriedade de Algaci Osmario Tulio e de Marcelo Giovani Tulio, portanto estaria legalmente impedida (lei do colarinho branco) de operar com o Banestado, uma vez que Algaci era, à época, tio de Arlei Pinto de Lara, diretor do banco que autorizou a transação - explicou Requião. De acordo com a documentação apresentada por Requião, a segunda empresa envolvida é a Documentha Produções Cinematográficas Ltda. Esta empresa comprou o precatório utilizado pela AT Computação Gráfica Ltda. para quitar a dívida. A Documentha é de propriedade de Berenice Isabel M. Bezerra e de Maria de Lurdes Rufalco, não tem crédito no Banestado (só restrições), mas tinha dívidas naquele banco que chegavam a R$ 1,3 milhão, todas avalizadas por Algaci Osmario Tulio. O pagamento dessas dívidas tem sido feito ao Banestado igualmente com precatórios pelo valor de face. A Documentha deve ainda mais de R$ 1 milhão ao Banestado. A outra empresa é a Estúdios Unidos Comunicação e Marketing Ltda., de propriedade de Marco Antonio Bezerra e de Isabel Cecília Mendes Paredes. O documento apresentado por Requião aponta os proprietários como sendo "laranjas" de Algaci Osmario Tulio e Ismário Bezerra. Essa empresa também operou o mesmo esquema financeiro com o Banestado. Mesmo sem crédito (empresa com restrições), a Estados Unidos Comunicação e Marketing conseguiu empréstimo de R$ 300 mil junto ao Banestado e quitou a dívida com a "dação de pagamento com precatório pelo valor de face e com substancial desconto". - No total, foram quitadas dívidas no valor de R$ 2.391.581,44. O Banestado aceitou precatórios dessas empresas pelo valor de face, no total de R$ 1.948.253,87. As empresas pagaram R$ 350 mil por esses precatórios com dinheiro emprestado pelo Banestado. Por isso o banco está quebrado. Estou enviando toda esta documentação ao Ministério Público para que sejam tomadas as medidas legais cabíveis - concluiu Requião.

 

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