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ALCÂNTARA APÓIA TAXAÇÃO DE OPERAÇÕES FINANCEIRAS INTERNACIONAIS

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 19 de outubro de 1998
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A taxação das operações financeiras internacionais de curto prazo recebeu hoje (dia 19) o apoio do senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE). A proposta foi formulada neste fim de semana pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, durante a 8ª Conferência de Chefes de Estado Ibero-Americanos, em Portugal. O presidente sugeriu que os recursos arrecadados sejam destinados a um fundo para socorrer os países emergentes em momentos de crise. - A medida reduziria o impacto do deslocamento desses capitais, o que acaba criando sérios embaraços aos países em desenvolvimento - afirmou o senador cearense. Lúcio Alcântara sugeriu que a gerência dos recursos seja feita por entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). Ele citou os fundos das Nações Unidas para Alimentação (FAO) e para o Comércio (OMC). "A ONU tem diversas organizações. Por que não criar uma para cuidar das finanças internacionais?" Para Alcântara, o Fundo Monetário Internacional não cumpre esse papel, agindo apenas como um banco que empresta dinheiro e muitas vezes tem ingerência política nos países. Alcântara acha que a medida traria efeitos positivos até mesmo para os países ricos, que garantiriam mercado consumidor para os seus produtos. - Se o processo de crise nos países periféricos não se interromper, os países mais ricos não vão ter a quem vender. A medida representa a defesa da economia deles - observou. Opinião diferente foi manifestada, em aparte, pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR). Para ele, os países ricos não estão preocupados com a saúde financeira das nações emergentes. "Eles não vão negociar com ninguém. Os países ricos vão atropelar a soberania dos mais pobres, interiorizando leis a seu favor, com a liberação absoluta das importações", afirmou o senador paranaense. Requião criticou a sugestão do presidente. "Isso não passa de um factóide". Ele afirmou que a proposta esconde a verdadeira política econômica do atual governo. - É uma política internacionalista de destruição das elites brasileiras. O Brasil está abrindo deliberadamente a sua guarda. Esse apelo do presidente é uma tolice. Os capitais querem lucro e o governo já está permitindo que multinacionais enviem seus lucros presumidos para este ano - ressaltou. Citando dados que indicam uma diminuição no número de empresas do setor de autopeças de três mil para 300, Requião pediu uma mudança na política industrial brasileira. - O governo deveria é recuperar a capacidade ociosa das empresas brasileiras que está em 25% - observou.

 

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