O senador Zanete Cardinal (PFL-MT) afirmou que o Brasil não deve deixar morrer à míngua o que é, em sua opinião, uma das maiores realizações do país: o Programa Nacional do Álcool. Para Zanete, os brasileiros admiram e louvam realizações de estrangeiros, mas sofrem de síndrome de derrota na hora de promover as próprias soluções. - Quando, num esforço incomum, conseguimos desenvolver todo um sistema tecnológico e produtivo, resolvendo um a um todos os óbices inerentes aos processos empregados e logrando um pioneirismo reconhecido pela comunidade técnica internacional, logo abandonamos a dianteira conquistada - analisa Zanete. A capacidade de controlar os problemas do etanol - alterando materiais empregados nos componentes do automóvel e protegendo-o contra corrosões - e o aprimoramento da tecnologia das usinas de açúcar e álcool foram citados pelo senador como conquistas tecnológicas brasileiras. O senador acredita que falta, por parte do governo, uma condução a sério de uma política energética e econômica independente. Para Zanete, o Proálcool, concebido no fim dos anos 70, no auge da crise do petróleo, era uma alternativa brasileira para o combustível importado. O senador destacou que, além das vantagens econômicas, o álcool combustível é um recurso renovável e traz vantagens para o ambiente. Zanete afirmou que o álcool deveria ser um recurso a mais e nunca um substituto total da gasolina: - Um dos principais desafios à nossa frente é o da reconstrução da imagem pública do álcool carburante, que ficou marcadamente negativa a partir da crise de suprimento do final dos anos 80 e da violenta desmoralização que o programa sofreu - acrescentou. Zanete destacou que o Brasil hoje tem excesso de álcool em estoque: - Se em São Paulo, estado de economia mais diversificada do País, isso já constitui um problema sério, imagine-se Alagoas, cuja economia tem como principal suporte a atividade sucroalcooleira. De acordo com dados do Departamento Nacional de Desenvolvimento Estratégico do Ministério de Minas e Energia, citados pelo senador, a indústria canavieira gera 533 vezes mais empregos do que a petrolífera.
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