O senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) fez hoje uma análise das disparidades entre os resultados de algumas eleições e os números levantados em pesquisas de opinião. Ele concluiu que a pesquisa é um instrumento útil e adequado numa eleição e afirmou que os institutos de opinião não podem ser apontados como réus nesse processo. Mas sugeriu que se faça uma pesquisa exatamente para que a população revele como se comporta diante dessas consultas eleitorais. Para Lúcio Alcântara, a grande questão, no momento, é saber se a população realmente se deixa influenciar pelo fato de a pesquisa revelar, por exemplo, que um candidato caiu drasticamente enquanto outro subiu surpreendentemente na disputa. "Hoje estamos submetidos a uma espécie de ditadura da pesquisa, mas há uma lição a tirar: não podemos mais erigir esses institutos como instâncias máximas, supremas no processo eleitoral", observou o parlamentar. Conforme Lúcio Alcântara, a disputa eleitoral já é uma competição muito penosa, que exige esforço físico e psicológico pela sua própria natureza. Daí por que a forma de divulgar o resultado de uma pesquisa não pode redundar na deturpação da vontade do eleitorado. Certo de que há aspectos a melhorar na realização de pesquisas durante uma eleição, o senador sublinhou que esse é apenas um instrumento a mais no processo. Na opinião do parlamentar, o grande problema hoje é a divulgação antecipada da pesquisa, como aconteceu em São Paulo, onde os levantamentos de boca-de-urna foram divulgados antes de encerradas as eleições. Depois de lembrar que, na França e em Portugal, não há publicação de pesquisas, ele propôs que o Legislativo encontre uma fórmula razoável, que atenda ao processo democrático sem risco de causar deturpação. APARTES Em aparte, o senador Jefferson Péres (PSDB-AM) disse que, com a metodologia adequada, as pesquisas refletem a realidade quase com exatidão, daí por que ele não entende o histórico de erros que ocorrem freqüentemente no estado do Amazonas. "Há algo muito errado nesses institutos, pelo menos no meu estado", observou. O senador Casildo Maldaner (PMDB-SC) considerou da maior importância a divulgação, junto com a pesquisa, do nome de quem a encomendou e de quem a pagou. Segundo o senador Lúdio Coelho (PSDB-MS), a pesquisa bem elaborada é muito importante na avaliação do pensamento da população, mas ressalvou que, 48 horas antes do pleito, as pessoas, muitas vezes, modificam a maneira de pensar. Ney Suassuna (PMDB-PB) disse que, se os institutos de pesquisas tivessem tanta capacidade de alterar resultados eleitorais, o presidente da República seria o dono do Ibope. Eduardo Dutra (PT-SE) sustentou contudo que a pesquisa de véspera tem influência no resultado da eleição e acrescentou: "É lógico que as pesquisas já detectavam o crescimento de Marta Suplicy [candidata do PT ao governo de São Paulo] nas vésperas da eleição." Roberto Requião (PMDB-PR) ressaltou que há uma vinculação direta entre as pesquisas e a sua contratação pelos governos. Para ele, os métodos não têm fidelidade científica, por isso, ou o Brasil acaba com a divulgação de pesquisas ou as libera de forma absoluta.
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