O senador Lauro Campos (PT-DF) fez um alerta nesta sexta-feira (dia 6) para os efeitos nocivos da deflação, que poderão ser ainda maiores na economia brasileira. Ele afirmou que o governo federal, que tanto se vangloriava de ter sido eficiente no combate à inflação, hoje é presa do processo deflacionário. Citando dados de uma pesquisa feita em São Paulo e divulgada na semana passada, Lauro Campos disse que em 1999 a deflação causará uma queda de 70% nos lucros de empresas em 20 setores. Na sua opinião, os capitalistas atingidos por esta redução dos lucros sentirão saudades da inflação. - Ao invés de haver uma redistribuição de renda, em que a base da pirâmide se aproxima do pico, é o pico que se destrói, que se empobrece na crise causada pela deflação, aproximando-se da base. É uma distribuição de renda às avessas - explicou Lauro Campos. No entendimento do senador pelo Distrito Federal, o Brasil hoje tem um "governo de 20%", já que é apenas este o percentual de recursos disponível para a União. Todo o restante dos recursos, explicou, está comprometido com o pagamento de juros das dívidas interna e externa. Ele completou que o governo não tem força suficiente para se livrar da taxa de juros atual de 49% . Lauro Campos ressaltou ainda que o Brasil, ao combater a inflação, perdeu a guerra contra a fome, contra a miséria, contra a prostituição infantil e contra os problemas da saúde. "Perdemos todas as guerras no social, mas em compensação conseguimos a "vitória fantástica" sobre a inflação, que agora vai virar deflação", ironizou. ALEIXO Antes de analisar a situação econômica atual, Lauro Campos teceu comentários sobre sua origem política e acadêmica. Ao citar alguns personagens históricos com os quais conviveu, o senador manifestou sua admiração pelo caráter e personalidade do ex-senador Milton Campos, que abandonou o cargo de ministro da Justiça por não concordar com a instituição do regime militar, em 64. Em aparte, o senador Edison Lobão (PFL-MA) pediu a Lauro Campos que esclarecesse se nutria a mesma consideração por Pedro Aleixo. Campos concordou com Lobão, que justificou sua intervenção por considerar que, mesmo mantendo-se no governo como líder, depois como ministro da Educação e vice-presidente, Aleixo permaneceu não por concordar, mas para resistir. - Deve-se a Pedro Aleixo a redação da Emenda Constitucional nº 1, da Constituição de 67, graças a qual foi possível reabrir o Congresso Nacional, que havia sido colocado em recesso. Também foi através desta emenda que se tornou possível a revogação do AI-5, que era a espinha dorsal do sistema revolucionário - acrescentou Lobão.
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