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BENEDITA CONTESTA MEDIDAS DO AJUSTE FISCAL

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 6 de novembro de 1998
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"Face à turbulência mundial, é certo que não podemos ficar de braços cruzados", afirmou a senadora Benedita da Silva (PT-RJ), ao contestar as medidas do ajuste fiscal que, em sua opinião, oneram os trabalhadores e o segmento produtivo com cortes e elevadas taxas de juros, enquanto permitem que os especuladores e donos de grandes fortunas continuem lucrando cada vez mais com os altos juros. Segundo Benedita, o desemprego e a recessão são as vedetes no Brasil de hoje, substituindo o dragão da inflação. "A nossa taxa de desemprego chegou à marca de 7,8% da força de trabalho, enquanto a inflação a apenas 2,82% ao ano. Em relação à recessão, a perspectiva é que o PIB decresça 1,5%. Tudo isso deve estar tirando o sono de milhões de brasileiros que irão sofrer os efeitos dessa crise". Para remediar essa situação, o governo decide fechar um acordo de empréstimo com o FMI, mesmo sabendo que terá que seguir a cartilha do Fundo, recessiva e interventora - espanta-se Benedita. "O Programa de Ajuste Fiscal, para o qual o governo pede a aprovação do Congresso, avançará sobre os servidores públicos ativos e inativos e sobre os cidadãos que não têm como escapar do aumento de carga tributária, como os assalariados, deixando de fora os especuladores e banqueiros". A meta do ajuste fiscal é crescente na produção de superávits primários (sem incluir pagamento dos juros da dívida) ao longo do próximo triênio, sendo 2,6% em 1999, 2,8% em 2000 e 3% em 2001, lembrou a senadora. "Não podemos, diante desses números, deixar de reconhecer a gravidade da situação, mas também precisamos lembrar que o Brasil, com recessão e alto índice de desemprego, não pode sequer pensar em corte nos investimentos, porque é assim que se gera riqueza e trabalho." Dentro desse quadro, Benedita manifesta sua preocupação com o processo de distribuição de renda patrocinado por esse governo, que considera bem injusto com os que já estão sacrificados. "É evidente que as propostas do ajuste são dirigidas contra a massa assalariada, retirando mais ainda seu poder de compra. Enquanto isso, o Imposto sobre Grandes Fortunas ameaça ser tão moderado que renderá, apenas, R$ 300 milhões, ou seja 1,07% da meta", conclui.

 

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