O senador Pedro Simon (PMDB-RS) manifestou sua preocupação, durante a audiência do ministro da Fazenda, Pedro Malan, na Comissão de Assuntos Econômicos, com a existência de duas correntes antagônicas dentro do governo. "A primeira, liderada pelo ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, teria preocupação exclusiva com equilíbrio financeiro, enquanto a segunda, representada pelo ex-ministro das Comunicações, Mendonça de Barros, privilegiaria o desenvolvimento econômico-social do país", afirmou. Segundo Simon, o noticiário da imprensa tem registrado as dúvidas do presidente Fernando Henrique Cardoso, ora optando por um modelo ora por outro. "Há necessidade de vivermos a angústia de um governo dividido entre duas políticas antagônicas? Aproveito a presença do ministro Malan para lhe perguntar sobre o modelo que defende: Há necessidade de adiar planos de crescimento e manter os juros na estratosfera?", indagou. Malan afirmou que durante as reuniões do Ministério com o presidente existe grande convergência de opiniões. "Não é verdade que a equipe econômica seja contrária a existência de um Ministério da Produção, para se preocupar com produtividade das empresas, eficiência da economia, redução do custo-Brasil. O que não gostaria é ver esse ministério transformado num "balcão de negócios", preocupado com o varejo da indústria ou do comércio". Ele disse que compartilhava a angústia do senador Simon com os juros altos e a impossibilidade de fazer a economia crescer mais depressa, gerando empregos. "Não acredito, porém, que nosso modelo que busca preservar a inflação baixa - uma conquista de todos os brasileiros - seja incompatível com uma política de crescimento sustentado que traga mais bem-estar à maioria da população", insistiu Malan.
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