Um protesto veemente contra a redução da taxa de importação do algodão em pluma foi feito nesta terça-feira (dia 8) em plenário pelo senador Jonas Pinheiro (PFL-MT). Ele exigiu, em nome dos produtores brasileiros, uma explicação do governo sobre "as razões de se conceder essa redução em prejuízo dos interesse nacionais". Segundo o senador, um decreto de junho deste ano estabeleceu uma alíquota constante de 6% para a importação do algodão em pluma de países do Mercosul até o ano 2001. Decreto anterior, de novembro do ano passado, estabelecia essa alíquota apenas para 1997 e 1998, aumentando progressivamente nos anos seguintes: 8% para 1999 e 2000 e 9% para o ano seguinte. Em seu pronunciamento, o senador fez um histórico da cotonicultura no Brasil, que após um período de penúria vinha dando sinais de recuperação. A partir dos anos 70, o governo passou a permitir a exportação apenas de algodão de baixa qualidade, piorando a excelente imagem que o produto brasileiro tinha no exterior. A partir de 1990, a abertura comercial reduziu a zero as tarifas de importação, relatou o senador. Mais recentemente, o câmbio sobrevalorizado e as altas taxas de juros internas trouxeram sérias conseqüências: a produção de algodão em pluma caiu de 960 milhões de toneladas, em 1992, para 660 mil toneladas em 1995. No ano seguinte, a produção foi de 414 mil toneladas e, no ano passado, não passou de 355 mil toneladas. Enquanto isto, segundo Jonas Pinheiro, o consumo brasileiro se manteve em 850 mil toneladas. Ano passado, o país importou meio milhão de toneladas, fazendo com que o Brasil, que se tornou o maior importador mundial do produto, gastasse US$ 1 bilhão anualmente nessa importação. O senador calcula que 400 mil trabalhadores na cultura de algodão foram demitidos nos últimos cinco anos, 210 mil apenas no Paraná. Mas o governo federal procurou reverter a situação a partir de 1996, com a adequação dos preços mínimos, o aumento dos limites de financiamento para custeio e a extensão a beneficiadores e industriais do ramo das linhas de crédito para comercialização. Com as medidas do governo, segundo Jonas Pinheiro, houve uma reação dos produtores na atual safra, principalmente na região Centro-Oeste, com destaque para seu estado. O Mato Grosso teve uma área 105% maior destinada ao algodão na safra 1997/1998 (114 mil hectares). A perspectiva para a atual safra seria ultrapassar os 200 mil hectares de área cultivada com o algodão. A alteração das taxas de importação, no entanto, vem de encontro à política praticada anteriormente, o que pode inviabilizar a recuperação esboçada, alertou o senador.
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