"Na adversidade deve-se procurar novos caminhos", advertiu o senador Sebastião Rocha (PDT-AP), em discurso nesta quinta-feira (dia 3), referindo-se à derrota do governo na MP que criava contribuição previdenciária para os inativos e aumentava a dos funcionários públicos da ativa. Para ele, o governo não deveria reapresentar a MP em janeiro, como está ameaçando, mas procurar novos caminhos para chegar ao ajuste fiscal. Para Rocha, a irritação do presidente Fernando Henrique Cardoso com os parlamentares não se justifica, muito menos suas ameaças de cortar suas emendas ao orçamento. "A equipe econômica é muito competente e pode muito bem encontrar propostas alternativas para os R$ 4 bilhões que se pretendia arrecadar com o sacrifício dos funcionários públicos que já estão assoberbados com quatro anos de salários congelados". O senador pelo Amapá considerou um "retrocesso" do governo FHC não querer adotar soluções inovadoras como o Imposto sobre Grande Fortunas, e ficar insistindo em propostas como a contribuição dos inativos que o Congresso já derrotou mais de uma vez. "Essa idéia de recorrer ao FMI também não é nova. Mais uma vez, o governo negocia um acordo sem transparência, mesmo sabendo que caberá a toda a população arcar com as conseqüências". Os episódios da escuta telefônica e do dossiê das ilhas Cayman deveriam ter mostrado ao governo que sua aprovação no país não é tão abrangente quanto pensa, disse o senador. "Há problemas, muitos fatos não estão esclarecidos. Além disso, o Congresso não será, sempre, tão submisso quanto o governo gostaria. FHC deveria buscar um ensinamento nessa atitude dos parlamentares que pode servir de lição de humildade para o governo".
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