O potencial produtivo da região dos cerrados e o impacto da ação do homem sobre seu ecossistema fundamentaram a advertência que o senador Odacir Soares (PTB-RO) realizou baseado em publicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), intitulada Atlas do Meio Ambiente do Brasil. O senador explicou que o cerrado possui uma dimensão geográfica de 210 milhões de hectares, com 60,5% aráveis, que sofrem danos no seu ecossistema advindos de grandes projetos agropecuários, da monocultura extensiva, da utilização de grandes quantidades de agrotóxicos e do uso de mecanização agrícola intensiva, de acordo com listagem sintetizada pela Embrapa. Citando o Prêmio Nobel da Paz de 1970, Norman Borlaug, que disse que o cerrado é a última, grande e contínua fronteira agrícola do nosso planeta, Odacir enfatizou que as atividades agropecuárias da região correspondem de 17% a 20% da área total cultivada no Brasil. Os cerrados respondem hoje por 25% da produção de grãos e 43% do rebanho bovino brasileiro. Um outro dado importante fornecido pela Embrapa, que o senador ressaltou, é que a sojicultura está se transferindo das áreas tradicionais de clima temperado para as regiões mais quentes dos cerrados. - Esses resultados favoráveis ao crescimento do cultivo da soja na área dos cerrados, ao lado de sua maior produtividade, devem-se à contribuição da Embrapa, com a colocação de cultivares de soja tropical, que tem um maior teor de óleo em seus grãos - elogiou o senador. ONGs O senador Odacir Soares denunciou que o objetivo das organizações não- governamentais (ONGs) não é proteger o meio ambiente, mas atender "os interesses dos nossos concorrentes, dificultando o nosso desenvolvimento". Ele disse que no artigo Campanha contra os Cerrados, publicado no jornal Gazeta Mercantil, de 29 de junho, o engenheiro agronômo Ady Raul da Silva, membro titular da Academia Brasileira de Ciências, afirma que "o desenvolvimento alcançado em áreas de cerrado, como Rio Verde, em Goiás, vem sendo hostilizado e dificultado por ambientalistas, na maior parte membros de ONGs, criadas e sustentadas principalmente por fundos de instituições e até de governos de países de primeiro mundo".
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