Durante a discussão do projeto de resolução que permite a realização de operação entre o estado do Paraná e a União para sanear o Banco do Estado do Paraná, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) levantou nesta quinta-feira (dia 10) uma série de suspeitas sobre a gestão do banco durante o governo Jaime Lerner. Estes fatos, para ele, desautorizam o governo do Paraná a gerenciar o processo de saneamento do banco. "Pelos mesmos motivos pelos quais não se permitiu que Ângelo Calmon de Sá, ex-controlador do Banco Econômico, recebesse dinheiro para sanear o banco, não é recomendável que se ponham na mão do governador Jaime Lerner recursos para sanear o Banestado. Seria o mesmo que deixar a raposa cuidar do galinheiro", comentou.O senador paranaense disse que o Banestado foi o banco com o maior lucro do país em 1993, fato exaltado pelo primeiro presidente da instituição no governo Lerner. Segundo Requião, operações irregulares autorizadas pelo governo do estado, como a emissão ilegal de debêntures e a compra de títulos frios, trouxeram enormes prejuízos à instituição.- Dívidas dos deputados da bancada governista foram pagas com precatórios do governo do Paraná. Eram adquiridos títulos para pagar precatórios, por um décimo do valor de face, e usados para pagar dívidas junto ao banco. E o banco quitava a dívida pelo valor total - acusou Requião.De acordo com o senador, o Banestado foi a instituição que mais comprou "títulos podres", conforme apurou a CPI dos títulos públicos. Requião disse que procurou o governador Lerner para alertá-lo sobre os problemas de gestão no banco, mas lhe foi proposto um acordo político em troca do seu silêncio.O relator da matéria, senador Gerson Camata (PMDB-ES), explicou que não lhe coube investigar assuntos relacionados a irregularidades no Banestado, mas apenas o processo de saneamento do banco. Ele informou que a documentação enviada por Requião sobre o assunto foi remetida ao Banco Central, à Polícia Federal e à Procuradoria do Estado do Paraná. O senador Osmar Dias (PSDB-PR) também defendeu a apuração das denúncias pelo Banco Central.
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