Em depoimento à CPI do Tráfico de Armas na sede da Polícia Federal, Alberto Dorneles Rodrigues negou que as armas apreendidas na garagem de sua loja em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, fossem ilegais. Ele afirmou que a picape em que estavam as armas era sua e que retirou o armamento de um depósito para devolvê-lo aos fornecedores, porque não conseguia vendê-lo. Apesar de sua mulher ter negado que a picape pertencesse ao casal, ele afirmou que havia comprado o veículo há três ou quatro meses, mas ainda não havia feito a transferência.
O comerciante questionou sua prisão porque, segundo afirmou, trabalha legalmente no Paraguai e não é acusado por crimes cometidos no Brasil. Ele ressaltou que já está providenciando a documentação das armas apreendidas em sua loja e que não tem conhecimento do restante do armamento apreendido. No entanto, o delegado Aderson Vieira Leite afirmou que a polícia paraguaia atestou a ilegalidade do armamento e já o destinou para uso do Exército.
Fazendas
Inicialmente, o comerciante citou em seu depoimento ser proprietário no Paraguai apenas de uma casa e da loja de armas Comando. Posteriormente, reconheceu a propriedade de duas fazendas com cerca de 9 mil hectares. De acordo com informações fornecidas pelo próprio comerciante sobre o rendimento de sua loja, os parlamentares chegaram à conclusão de que ele deve lucrar cerca de R$ 15 mil por mês.
O funcionário da loja Amauri Carlos dos Santos, ouvido antes de Rodrigues, disse que apenas vendia armas de acordo com as leis paraguaias. No país vizinho, destacou, qualquer brasileiro de posse de uma carta de imigração, documento facilmente tirado no Paraguai, pode comprar até três armas de cada vez, sem qualquer controle. Aproveitando essa situação, ele teria revendido três armas a Marcelinho Niterói, sobrinho de Fernandinho Beira-Mar. O curioso, de acordo com os deputados, é que essas armas são do mesmo lote daquelas apreendidas.
Santos disse que a picape onde estava o armamento havia sido comprada por Rodrigues cerca de 20 dias antes da apreensão. Ele acredita que as armas poderiam estar no veículo por terem sido entregues pelos fornecedores depois do expediente, e lá teriam permanecido para serem levadas ao depósito.
Rodrigues e Santos estão presos em celas separadas porque a PF quer evitar contatos que possam comprometer as investigações. O comerciante contratou o mesmo advogado para ele e para seu funcionário.
Agenda
Nesta quarta-feira, a CPI ouvirá os funcionários da Brasil Telecom Michelli Gonçalves Ignácio e Walid Rentato Chehade Marques, e o policial militar Mardem Ubirajara Barbosa. Eles são acusados de facilitar o acesso a celulares em presídios.
O relatório final da CPI deverá ser apresentado no dia 22 de novembro e votado no dia 29.
Reportagem - Vania Alves
Edição - Marcos Rossi
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