De acordo com Juliano Castilho Dall'Antonia, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), que participou do seminário "Internet para Todos", a universalização da internet deve pressupor a criação de cidades digitais, em que a população possa acessar serviços públicos e privados em ambiente virtual. A expressão "cidade digital", no entanto, foi criticada pelo diretor de Planejamento da Rede de Informações para o Terceiro Setor, Calor Alberto Afonso, que integra o conselho gestor da internet brasileira. Segundo ele, essa expressão exclui as áreas rurais do acesso à tecnologia.
O pesquisador do CPqD afirmou que a entidade trabalha em sistemas que vão permitir o acesso de analfabetos e de portadores de necessidades especiais a serviços na internet. De acordo com Dall'Antonia, pessoas que não sabem ler poderão, por exemplo, requerer aposentadoria ou agendar consulta médica por meio da rede. O computador dialogará com esses usuários com emissões sonoras usando padrões simples de linguagem.
Inclusão social
Já o representante do Ministério da Ciência e Tecnologia, Emir José Suaden, afirmou que a universalização da internet, por si só, não vai promover a inclusão digital. Segundo ele, o governo precisa investir em políticas que capacitem a população a acessar informações, e não apenas disponibilizar os recursos técnicos necessários à navegação na internet. De acorco com Suaden, deve-se buscar "a sociedade da informação e não a informatização da sociedade". Ele observou , ainda, que a inclusão digital não leva à inclusão social. Como exemplo, citou um estudo da Universidade de Brasília (UnB) que aponta o uso de celulares e de computadores de mão por mendigos na Escócia.
Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Maria Clarice Dias
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