Os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas pediram nesta terça-feira reforço na vigilância brasileira nos 1.700km de fronteira seca, durante a tomada de depoimentos sobre a operação da Polícia Federal (PF) que apreendeu em setembro, no Paraguai, 1.240 armas e munições, no valor de US$ 1,4 milhão (R$ 3 milhões).
Na opinião do relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), é preciso que o Estado brasileiro se mobilize como um todo para controlar a área, inclusive com postos do Exército. "Esse arsenal que foi apreendido nos leva a pensar em quantas armas entram no Brasil sem que se tome conhecimento", destacou Pimenta.
O delegado da PF Aderson Vieira Leite reconheceu que a região de fronteira seca do Brasil é bastante frágil. Ele explicou que os efetivos de segurança na região são insuficientes para cobrir as milhares de rotas possíveis de entrada de drogas ou armas no País.
Comerciantes presos
Depois de seis meses de investigações em busca dos focos do tráfico de armas para o País, a Polícia Federal chegou a duas lojas de armas em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia fronteiriça com o Brasil. Com a colaboração da polícia paraguaia, a PF encontrou um arsenal num buraco de oito metros de profundidade e numa picape com placa de São Paulo, que estava na loja de armas Comando, de propriedade do brasileiro Alberto Dorneles Rodrigues. Na capital paraguaia, Assunção, foi apreendida outra parte do carregamento, na loja Comando de Elite. Apesar de este outro estabelecimento não estar no nome de Rodrigues, a polícia suspeita que ele seja o verdadeiro proprietário.
Na operação, foram presos Alberto Rodrigues; o funcionário da Comando Amauri Carlos dos Santos; e o dono da loja Monte Líbano, Nadim Raymond El Hage. A mulher de Rodrigues, Sonia, está foragida.
A investigação da PF concluiu que Rodrigues é um dos maiores traficantes de armas para o Brasil. A suspeita é de que as peças apreendidas, entre as quais havia até metralhadoras antiaéreas, iriam para o Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo.
De acordo com o delegado Vieira Leite, as investigações também levaram a outros operadores de quadrilhas brasileiras que circulam no Paraguai. Entre eles estaria Luiz Ramirez, foragido, que seria um negociador de armas para o PCC; e Marcelinho Niterói, sobrinho de Fernandinho Beira-Mar, que tem permissão legal para ficar no Paraguai. Um desmembramento da operação levou à prisão de 12 membros do PCC em São Paulo.
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Reportagem - Vania Alves
Edição - Marcos Rossi
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