O seminário "Desafios à Expansão da Agropecuária Brasileira" será realizado nesta terça (21) e na quarta-feira (22), no auditório Nereu Ramos, com o objetivo de debater o futuro do agronegócio diante do cenário político, econômico e social (tanto em âmbito interno quanto no contexto internacional) para incentivar a produção e a exportação de bens agropecuários.
Entre os principais temas do evento, estão os entraves ao aumento do comércio internacional de produtos agrícolas brasileiros; as restrições ambientais à expansão sustentável da agropecuária; e os obstáculos à competitividade do setor.
Além disso, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, pediu que seja incluído um debate sobre as condições de trabalho no campo; os direitos humanos e a busca de alternativas para a inclusão social dos trabalhadores rurais. De acordo com proposta de Aldo, que fará a abertura do evento, o seminário será realizado em parceria entre a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; o Conselho de Altos Estudos e as comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional; e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Competividade
De acordo com o presidente da Comissão de Agricultura, Abelardo Lupion (PFL-PR), a capacidade de competir, o porte e o dinamismo da agropecuária brasileira alçaram o Brasil à condição de potência agrícola mundial. Entretanto, ressalva, "o País tem sido confrontado com toda sorte de restrições e ameaças ao crescimento continuado de sua agricultura, tanto internamente quanto no ambiente internacional". Lupion destaca ainda que, "em meio à produção de uma nova safra (2006/2007), o seminário servirá para ampliar o debate sobre temas polêmicos como as restrições ambientais impostas à expansão sustentável da agropecuária brasileira e a questão do trabalho no campo".
Uma das medidas defendidas por Lupion para reduzir custos de produção e incentivar as exportações é a fabricação de produtos genéricos, da mesma forma que aconteceu no setor de medicamentos. A abertura do mercado para a importação de insumos de países do Mercosul , na opinião de Lupion, também ajudaria a incentivar a concorrência e a reduzir o preço dos produtos agroquímicos, que contribuem para elevar o custo final dos produtos. "Essas duas medidas criariam condições para incentivar o setor, pois contribuiriam para a redução dos custos e para o aumento da competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo", explicou.
De acordo com o presidente do Conselho de Altos Estudos, deputado Inocêncio Oliveira (PL-PE), "este é o momento ideal para aprofundar a discussão sobre os obstáculos ao processo de expansão da agropecuária brasileira". O conselho pretende propor alternativas que estimulem a competitividade do setor.
Avanços
Na última década, a agropecuária brasileira ampliou sua participação na formação do Produto Interno Bruto (PIB ) e nas exportações. Em 2005, o produto do agronegócio atingiu R$ 538 bilhões (27,9% do PIB) e as vendas ao exterior alcançaram a cifra de 43,6 bilhões de dólares (cerca de R$ 94,1 bilhões - ou seja, 36,9% do total das exportações).
O setor participa de maneira destacada na ocupação econômica da população (37% dos empregos), e a sua ampla diversificação garante o abastecimento de alimentos e de insumos para as indústrias e de matérias-primas para a geração de energia.Com um clima diversificado e rico potencial hídrico, o Brasil tem 388 milhões de hectares de terras agricultáveis férteis e de alta produtividade, dos quais 90 milhões ainda não foram explorados. Segundo o IBGE, o agronegócio é responsável por 33% do PIB, por 42% das exportações totais e por 37% dos empregos brasileiros. O setor responde por um em cada três reais gerados no País, e emprega aproximadamente 17,7 milhões de trabalhadores somente no campo.
Dados da Global 21, empresa de comércio exterior e marketing internacional, mostram que em dez anos o País dobrou o faturamento com as vendas externas de produtos agropecuários e teve um crescimento superior a 100% no saldo comercial.
Esses resultados levaram a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) a prever que o País será o maior produtor mundial de alimentos na próxima década. As exportações também têm crescido. Além dos importadores tradicionais, como a Europa, os Estados Unidos e os países do Mercosul, o Brasil tem ampliado as vendas de produtos agrícolas para a Ásia, o Oriente Médio e a África.
Leia mais:Brasil mantém liderança mundial em vários produtosSaiba quem são os convidados para o seminário
Reportagem - Antonio Barros
Edição - Regina Céli Assumpção
Link para a página original
0 pessoas comentaram a notícia "Câmara discute medidas para incentivar agronegócio"
Deixe o seu comentário
* Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores e podem não expressar necessariamente a opinião do Direito 2.