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Ariano fala à equipe da Câmara de política a cultura

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Por: Agência Câmara
Data de Publicação: 16 de novembro de 2006
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A equipe dos veículos de comunicação da Câmara dos Deputados foi até Recife entrevistar o escritor na casa dele, no tradicional bairro de Casa Forte. Ariano Suassuna falou de política, da cultura brasileira, da influência estrangeira, de sua obra, da formação política do País, da América Latina e de diversos outros temas. Leia alguns trechos:

Sobre Lula:

"Pela primeira vez, um homem do povo do Brasil real atingiu a Presidência da República."

Sobre a América Latina:

"Acho que é uma coisa fundamental o fato de (Hugo) Chávez partir de Bolívar, que, para mim, é o maior homem da América Latina. O meu sonho de união latino-americana segue a linha do sonho de Bolívar."

Sobre a Língua Portuguesa:

"Traduzir goalkeeper por goleiro, eu acho que foi um progresso, uma aquisição. Com isso, a língua se enriquece e não se deturpa, não se vulgariza, não se corrompe"

Sobre a influência cultural estrangeira:

"A boa arte estrangeira, eu não tenho nada contra ela. Eu falo mal é contra o lixo cultural que querem nos apresentar como modelo, como parâmetro. Querem a uniformização da cultura e querem que eu ache que uniformização da cultura é universalização da cultura. Não é."

Sobre a formação do País:

"A América de fala hispânica se fragmentou toda. E o Brasil ficou nessa unidade. O Brasil se tornou essa unidade entusiasmadora de contrastes que é hoje, graças a uma jogada política habilíssima, uma jogada de Sancho, de um misto de Sancho e Dom Quixote que era José Bonifácio, que, contrariando os radicais da época, deu um estalo e disse: "A independência do Brasil deve ser feita pelo herdeiro da Coroa Portuguesa."

Sobre a influência da cultura popular em sua obra:

"Eu me baseei em três folhetos da literatura de cordel (para escrever o Auto da Compadecida). O primeiro ato é baseado num folheto chamado "O Enterro do Cachorro". O segundo ato é baseado noutro folheto, chamado "O Cavalo que Defecava Dinheiro". Na peça, eu transformei num gato por motivos óbvios, porque era muito difícil você botar um cavalo no palco. E o terceiro ato é baseado num terceiro folheto, chamado "O Castigo da Soberba."

Reportagem - Antonio Vital/Assessoria de Imprensa

Edição - Renata Tôrres

 

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