Ao propiciar a estudantes a vivência da atividade parlamentar e mostrar sua importância para o exercício da cidadania, o Parlamento Jovem tem contribuído para uma mudança de visão sobre o Legislativo. "Existe uma confusão entre os papéis do parlamentar e do gestor público. Ao ter um projeto reprovado por ser inconstitucional ou por inadequação financeira, por exemplo, os participantes percebem que a função também tem limitações", assinala o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). "No Parlamento Jovem, eles vêem como é difícil aprovar um projeto", reforça o deputado Lobbe Neto (PSDB-SP).
A mudança de visão é confirmada por participantes da terceira edição do evento. O presidente da Mesa Diretora, Marcos Paulo Silveira Carvalho Abreu, disse ter percebido que, embora haja "ovelhas negras" entre os parlamentares, a grande maioria está a serviço do povo brasileiro. "A mídia trata o Congresso de forma desrespeitosa e faz com que a população tenha essa visão", afirmou o estudante.
Muito trabalho
O catarinense Anderson Reginaldo de Maria, que disputou a presidência da Mesa, e a pernambucana Janiele Marinho de Pontes também afirmaram que saem do evento com uma impressão diferente da que tinham. "Depois dessa semana, os 78 jovens que participaram do Parlamento não vão mais falar que os deputados não trabalham. Deu para perceber que eles trabalham muito porque não é simples aprovar uma proposta", assinalou Anderson. Janiele disse que vai levar para a sua cidade a visão de que, "ao contrário da vida boa que se imagina", os deputados trabalham bastante.
A importância do efeito multiplicador do programa é enfatizada por Lobbe Neto e Reginaldo Lopes, que manifestam a expectativa de criação de novos parlamentos jovens nos municípios e estados (alguns já contam com esse tipo de iniciativa).
Intercâmbio cultural
Outro ponto destacado por participantes e coordenadores do evento foi o intercâmbio cultural proporcionado. "Foi muito boa a oportunidade de ter vindo a Brasília e de ter conhecido pessoas de tantas culturas diferentes", avaliou Marcela Pereira de Sousa, do Ceará.
Bernardo Roberto, que também integra o Parlamento Juvenil do estado do Rio de Janeiro, disse que um dos ensinamentos que leva do evento é a tolerância. "As culturas são muito diferentes de uma região para outra e houve situações em que tivemos de respeitar costumes distintos dos nossos", afirmou. No entanto, ele disse que, acima de tudo, pôde ver que todos estavam unidos pelo "propósito de um País melhor".
Próxima edição
O deputado Lobbe Neto informou que logo no início de 2007 será dada a partida para a próxima edição do Parlamento Jovem, que deve acontecer em novembro. A idéia é enviar os convites ao Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), para que tenha início a divulgação do evento nos estados.
Os estudantes que participaram da terceira edição foram previamente selecionados pelas secretarias estaduais de Educação a partir de propostas de projeto de lei apresentadas por eles. Os projetos passaram, ainda, pelo crivo da Câmara, para a qual foi encaminhado um número de propostas três vezes maior do que as vagas a que cada estado tem direito.
Reportagem - Luciana Mariz
Edição - Renata Tôrres
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