Com disputas acaloradas, conflito de interesses e muita discussão durante cinco dias, 78 jovens de 16 a 22 anos de todo o Brasil estiveram na Câmara para experimentar o trabalho de um parlamentar. A votação em plenário dos projetos de lei do Parlamento Jovem comparou-se ao dia-a-dia do Congresso real.
Nesta sexta-feira, último dia do encontro, os projetos aprovados nas cinco comissões temáticas foram votados por todos os deputados jovens. Bernardo Roberto, do Rio de Janeiro, que foi líder da Comissão de Educação, votou contra um projeto de lei apresentado por uma deputada de sua chapa. "Apoiei a eleição da Mesa Diretora , que foi eleita por uma articulação política junto às bancadas, às lideranças, com troca de cargos, como existe na política parlamentar de verdade. Mas estamos aqui para votar pela coerência, pelos projetos, e não por acordos políticos", explicou.
Internos da Febem
O projeto estabelecia a reserva de um percentual de vagas no serviço público para que internos de Febem pudessem trabalhar, recebendo os salários ao final do cumprimento da pena. Bernardo Roberto foi à tribuna e orientou a votação contra o projeto.
"Fui contra a remuneração dos internos da Febem. Acho que o estudante que é pautado pela lei, pela ética e por uma boa conduta não pode ser desvalorizado e, ao mesmo tempo, aquele interno que cometeu alguma infração, valorizado através da entrega direta de dinheiro", destacou. O projeto acabou sendo rejeitado.
A líder da Comissão de Segurança Pública, Karoline Moreno, de São Paulo, que era favorável à proposta, lamentou o resultado. "Eles acham que a gente está protegendo os menores infratores. Na verdade, a gente está dando uma oportunidade, como se fosse qualquer outra pessoa. Só que eles (os jovens parlamentares) não pensam no humano, eles pensam como se eles (os internos da Febem) tivessem cometido um crime que não pudesse nunca ser perdoado", afirmou.
Erro de digitação
Dois projetos foram aprovados, outros dois rejeitados e um deles foi retirado de pauta, em um episódio polêmico. O projeto que estabelecia a implantação de um quarto ano pré-vestibular opcional no ensino médio teve parecer favorável da Comissão de Educação, mas, na votação em plenário, um erro de digitação apontou que a comissão havia votado pela inconstitucionalidade da matéria.
O presidente do Parlamento Jovem, Marcos Paulo Silveira Carvalho Abreu, não aceitou que o erro fosse corrigido, valendo-se do regimento para dizer que parecer de comissão não pode ser alterado em plenário. Muitos deputados protestaram e, ao final da sessão, alguns pediram até o impeachment do presidente.
Marcos Abreu declarou que as disputas fazem parte do trabalho parlamentar e que o papel do presidente é manter a ordem dos trabalhos de maneira democrática. "Temos que manter a liberalidade da Mesa, mas também a autonomia e tentar manter o respeito à Mesa. Se começar a haver o desrespeito, com certeza a Casa fica uma bagunça e a condução dos trabalhos fica totalmente atrapalhada."
O estudante disse que pretende voltar à Câmara. "Agora que conheço de perto a realidade dos parlamentares, com certeza me empenharei nisso, e o meu sonho é voltar aqui como deputado federal", ressaltou.
Reportagem - Daniele Lessa/Rádio Câmara
Edição - Renata Tôrres
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