A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas vai contar com dois sub-relatores para acompanhar as investigações da Polícia Federal (PF) sobre o caso do dossiê que envolveria integrantes do PSDB com a "máfia das ambulâncias". O relator da CPMI, senador Amir Lando (PMDB-RO), convidou os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) para a função. Ambos aceitaram o convite, que ainda deve ser formalizado na próxima semana.
Gabeira avalia que a escolha de dois deputados, um da oposição e outro da base governista, vai possibilitar uma análise equilibrada. Os dois sub-relatores querem ir a Cuiabá para esclarecer dúvidas com o delegado da PF Diógenes Curado, responsável pelo caso. Segundo Gabeira, o material de investigação da PF tem características técnicas e, por vezes, necessita de interpretação.
Vanessa Grazziotin afirmou que vai evitar a politização do assunto. "A minha idéia é acompanhar de perto o trabalho da Polícia Federal", disse a deputada.
Os dois parlamentares ficarão responsáveis pela redação de um texto que vai constituir um capítulo do relatório final da CPMI. Gabeira também é sub-relator de investigação de parlamentares; e Vanessa Grazziotin, de processo orçamentário.
Quebra de sigilo
Integrantes da CPMI se dedicaram nesta quarta-feira à análise da documentação enviada pela Justiça Federal de Mato Grosso. O vice-presidente da comissão, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), reafirmou a necessidade de adiar os depoimentos dos três petistas envolvidos no episódio - Gedimar Passos, Valdebran Padilha e Jorge Lorenzetti -, já que as informações recebidas devem subsidiar os parlamentares para o interrogatório.
O deputado disse que as informações obtidas, que incluem dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf ), são "extremamente relevantes". Ele anunciou, inclusive, que surgiu um novo nome a partir da análise das quebras de sigilo telefônico dos investigados: um empresário que deve ser convocado para explicar sua participação no caso.
Os três petistas que seriam ouvidos na terça-feira pela CPMI tiveram seus depoimentos remarcados para o dia 21 de novembro. Jungmann informou, no entanto, que vai pedir a antecipação desses depoimentos para a próxima semana. Ele também defenderá a prorrogação dos trabalhos da comissão até o dia 31 de janeiro.
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Reportagem - Geórgia Moraes/Rádio Câmara
Edição - Pierre Triboli
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