O sub-relatório sobre a indústria e o comércio de armas de fogo no Brasil inclui um estudo desenvolvido pelos pesquisadores Pablo Dreyfus, Benjamin Lessing e Júlio César Purcena, do Instituto de Estudos Religiosos.
Depois de traçar um amplo painel histórico da implementação da indústria de armas de pequeno porte no País, no qual se destaca o incentivo, inclusive por meio de subsídios, por parte do regime militar, o texto mostra que, mesmo após a abertura política, os militares mantiveram o monitoramento e o registro da produção, das vendas domésticas e das exportações de armas de pequeno porte. Hoje, ainda é o Comando do Exército que decide, por exemplo, que tipos de armas as polícias e os civis podem usar.
Apesar do crescimento constante da produção de armas de pequeno porte no País, a indústria ocupa um espaço mínimo na economia nacional, segundo o estudo. Os Estados Unidos são o principal comprador de armas e de peças brasileiras, enquanto a exportação para a América Latina é predominantemente de munição.
O estudo destaca que o Paraguai, com uma das menores rendas per capita da região e com apenas 7 milhões de habitantes, sem altos índices de mortos por arma de fogo, é um grande importador. A quantidade de armas de pequeno porte importadas excede em muito as necessidades do país. Isso deixa evidente o desvio de armas do mercado lícito para o ilícito no Paraguai. Boa parte voltava para o Brasil, o que levou o País a cancelar as exportações de armas para seu vizinho em 2000.
Reportagem - Vania Alves
Edição - João Pitella Junior
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