No quesito formação acadêmica, a futura Câmara, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), será das mais instruídas da história nacional: 413 (80,5%) dos 513 deputados têm curso superior completo. Dos outros cem, 37 (7,2%) têm curso superior incompleto; 51 (10%) cursaram o ensino médio; e 12 (2,3%) têm apenas o ensino fundamental. De acordo com Antônio Augusto Queiroz, diretor do Diap, a nova Câmara "não vai dever em nada aos parlamentos dos países mais desenvolvidos culturalmente".
O que ainda deixa a dever é a representação de categorias sociais como negros e mulheres. Segundo o professor Otaciano Nogueira, as mulheres formam um dos grupos com menor representação, pois constituem mais da metade dos eleitores e não chegam a 10% dos parlamentares. Para o professor, somente a mobilização política desses grupos pode mudar o quadro.
Nogueira lembra que só em 1932 as mulheres adquiriram o direito de votar no Brasil. Ele destaca, entretanto, que na França, país considerado como muito mais liberal, isso só ocorreu em 1945. "O problema é como transformar a maioria do eleitorado, que não tem militância política, em participante do processo", analisa. Segundo ele, o atraso do Brasil nessa questão revela o conservadorismo da cultura política.
Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - João Pitella Junior
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