O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou nesta terça-feira que o governo vai liberar R$ 33 milhões para suplementar o projeto de erradicação da febre aftosa. Segundo Rodrigues, a decisão atende a uma reinvindicação do Ministério da Agricultura. O anúncio foi feito durante audiência pública conjunta das comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e de Fiscalização Financeira e Controle.
O ministro explicou aos parlamentares que, desse total, R$ 6 milhões serão enviados para os pequenos produtores, R$ 20 milhões servirão para indenizar os proprietários dos animais sacrificados, R$ 6 milhões serão usados na fiscalização das áreas de fronteira e R$ 1 milhão será usado para despesas adicionais.
Corte orçamentário
O ministro admitiu que o orçamento para defesa sanitária no País é insuficiente. Segundo Rodrigues, apesar de o quadro ser mais favorável em 2005, com previsão de R$ 169 milhões, dos quais R$ 30 milhões foram originários de emendas da Comissão de Agricultura da Câmara, houve contingenciamento da verba.
Como 50% dos recursos do ministério são destinados à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e não podem sofrer contingenciamento, a outra metade sofreu um corte de 80%.
O resultado, segundo o ministro, foi a destinação de apenas R$ 37 milhões para defesa sanitária. Mesmo assim, ele informou que até junho deste ano já haviam sido destinados à área R$ 92 milhões, dos quais R$ 55 milhões estão empenhados até outubro. "Houve um aumento, mas ainda é pequeno", afirmou Rodrigues.
Em relação ao surto de aftosa, entretanto, o ministro não acha que a responsabilidade seja exclusiva do ministério. Segundo ele, a culpa deve ser compartilhada com os governos estaduais e com os produtores.
Combate
O ministro afirmou que tudo o que poderia ter sido feito tecnicamente no combate da aftosa está sendo feito. "A crise é grande, mas esperamos que o quadro seja revertido rapidamente", concluiu.
Ele informou aos parlamentares que já foram identificados 22 focos da doença no País. O último foco foi registrado em uma fazenda do Mato Grosso do Sul com 5 mil cabeças de gado. Segundo Rodrigues, as análises não acusaram a existência do vírus no Paraná, mas ainda existem suspeitas nas cidades de Londrina e Toledo.
De acordo com o ministro, a primeira preocupação do governo era a de que o vírus tivesse sofrido mutação. "Solicitamos os exames e verificamos que não se trata de um vírus mutante, mas de uma espécie recorrente na região, incluindo o Paraguai e a Argentina", explicou.
A segunda preocupação era com a baixa qualidade da vacina, mas, segundo o ministro, os exames foram feitos e o fato não foi constatado.
Hipóteses para o surto
Até agora, existem três hipóteses para o surto de febre aftosa. Na primeira, a vacinação não teria sido feita corretamente porque os produtores teriam comprado a vacina mas não a utilizaram.
A segunda hipótese é de que a vacina tenha sido mal conservada. Rodrigues explicou que as doses precisam ficar guardadas em uma temperatura entre 2 e 8 graus Celsius.
A terceira explicação seria uma vacinação mal feita, em que um ou outro animal não tenha recebido a dose e, posteriormente, tenha sido contaminado.
No Mato Grosso do Sul, 810 propriedades foram interditadas. Quase 4 mil animais já foram sacrificados e cerca de 138 mil estão sob vigilância. Segundo o ministro da Agricultura, 52 equipes estão em operação na região e 25 barreiras sanitárias funcionam 24 horas por dia.
O ministro afirmou que a maior preocupação do governo são os embargos feitos por vários países, que podem causar prejuízos de 1,129 bilhões de dólares (cerca de R$ 2,47 bilhões) em relação à carne bovina e de 617 milhões de dólares (cerca de R$ 1,35 bilhão) para a exportação de carne suína. "Não há perigo para a saúde humana, o prejuízo é material para os produtores locais e para o País, com o reflexo nas exportações", resumiu.
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Reportagem - Idhelene Macedo
Edição - Cristiane Bernardes
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