O ex-deputado Chicão Brígido negou nesta terça-feira, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos, que tenha recebido R$ 200 mil para votar a favor da Emenda da Reeleição, em 1997. A aprovação da emenda favoreceu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que graças a ela pôde ser reeleito. Brígido, no entanto, afirmou que "ouvia nos corredores" da Câmara, naquela época, que havia um movimento político para a liberação de verbas do orçamento em troca de votos à emenda.
O ex-deputado disse na CPMI que não foi eleito para fazer negociatas e que seu compromisso é com o seu partido, o PMDB, e também com as pessoas que o elegeram. "Estou envolvido nesse episódio por uma hipótese, por uma suposição. Ele também negou que tenha participado de reunião com os ex-governadores Amazonino Mendes (AM) e Orleir Cameli (AC) e com o ex-ministro Sérgio Motta (das Comunicações), morto em 1998, acusados de participar do esquema.
Chicão Brígido é suplente do deputado Ronivon Santiago (PP-AC), que também depôs hoje na CPMI. O mandato de Ronivon foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre, por compra de votos na eleição de 2002, mas o caso ainda está sendo analisado pela Câmara. Se Ronivon for cassado, Chicão Brígido assumirá a vaga.
Reportagem
Uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada em maio de 1997 divulgou conversas nas quais os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do Acre, diziam ter recebido R$ 200 mil cada um para votar a favor da emenda que permitiria a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Nas gravações, eles acusaram os então deputados Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, todos do Acre, de recebimento de dinheiro.
A reportagem foi lida pelo relator da CPMI, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG). "Não entendo por que meu nome foi citado nesse episódio", rebateu Brígido.
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Reportagem - Antonio Júnior
Edição - Patricia Roedel
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