O sub-relator de Movimentação Financeira da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), vai apresentar relatório parcial nesta quinta-feira (10), às 14 horas. O relator-geral da CPMI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), adianta que a comissão vai pedir ao Ministério Público o indiciamento do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser o operador do suposto esquema do "mensalão".
O pedido tem como base indícios de fraude na contabilidade e na forma como foram lançados os repasses feitos por Marcos Valério para o PT. "Também há provas suficientes para o indiciamento por lavagem de dinheiro, tráfico de influência e crime contra o sistema financeiro", assinalou Serraglio.
Sacadores não identificados
O relatório parcial vai revelar ainda 50 sacadores não identificados das contas de Marcos Valério. Essa lista poderia levar a mais parlamentares que teriam recebido recursos do empresários. Pelo relatório, esse dinheiro não têm como fonte empréstimos de Marcos Valério ao PT para cobrir gastos de campanha, ao contrário do que Delúbio e o próprio empresário declararam.
Operação em 2003
Na semana passada, Serraglio revelou que, em 2004, cerca de R$ 35 milhões relativos à campanha da Visanet foram antecipados pelo Banco do Brasil à agência de publicidade DNA, de Marcos Valério. Por meio de suas empresas, Marcos Valério teria repassado R$ 10 milhões desse montante ao BMG. Em seguida, teria recebido do banco, na forma de empréstimo, o mesmo valor. Segundo o próprio Valério, esse empréstimo era para o PT.
O relator da CPMI quer aprofundar agora as investigações sobre uma operação semelhante feita em 2003. Ao analisar um adiantamento de R$ 23,3 milhões pagos à DNA no dia 15 de abril de 2003, a CPMI, por enquanto, só conseguiu comprovar que esses recursos foram aplicados no Banco do Brasil no dia seguinte. Coincidentemente, seis dias depois a SMPB, outra agência de Marcos Valério, contratou um empréstimo de R$ 19 milhões no Banco Rural para atender ao PT.
Outra linha de investigação vai focar os grandes fornecedores das empresas de Marcos Valério.
Contratos
O sub-relator de Contratos, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), deve entregar seu relatório parcial na semana que vem. Serraglio afirmou que, nessa área, a CPMI apura o envolvimento do ex-ministro Luiz Gushiken no caso, já que todas as estatais prestavam contas de seus contratos de publicidade à Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
Serraglio citou relatório da Controladoria-Geral da União que aponta favorecimento às agências de Marcos Valério com a mudança de requisitos para participar de licitações. "Ao baixar a exigência de patrimônio da empresa licitante de R$ 3 milhões para R$ 1,8 milhão, parece que se está abrindo a licitação para todo mundo. Depois se vê que entra bastante gente e a empresa de Marcos Valério vence no quesito pontos", analisou. O relatório da controladoria aponta justamente para falhas no exame da pontuação.
Serraglio não descartou a possibilidade de reconvocar Gushiken para depor na CPMI, assim como o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. No entanto, o relator acredita que os depoimentos não têm contribuído para as investigações como se imaginava e, portanto, só devem ser convocadas caso haja novos esclarecimentos a serem feitos.
Depoimentos
A sub-relatoria de Fontes Financeiras ouvirá amanhã, às 14 horas, o tesoureiro do PPS paulistano, Evaldo Rui Vincentini; o ex-funcionário da Barcelona Tour, agência do doleiro Toninho da Barcelona, Marcelo Via; e a cambista Nelma Cunha, da Havaí Câmbio e Turismo, de Santo André (SP).
Na quarta-feira (9), também às 14 horas, vão depor na sub-relatoria de Fontes Financeiras a ex-assessora do PT de Londrina Soraia Garcia; o ex-diretor financeiro do Ministério dos Transportes José Luiz Alves, assessor do ministro dos Transportes e atual prefeito de Uberaba (MG) Anderson Adauto; e o ex-funcionário do Banco Rural Renato César Alves de Souza.
As reuniões vão ocorrer na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.
Notícias anteriores:CPI dos Correios diz que Valério não fez empréstimos ao PT
Reportagem - Geórgia Moraes
Edição - Francisco Brandão
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