O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), defendeu na manhã desta sexta-feira que os funcionários do Banco do Brasil (BB) que participaram da antecipação de verbas publicitárias para a Visanet sejam responsabilizados, incluindo o ex-diretor de Marketing Henrique Pizzolato. Serraglio afirmou que, caso o adiantamento tenha resultado de uma decisão de comitê, como tem alegado o ex-diretor, os outros participantes também deverão ser investigados.
Na avaliação do relator, os R$ 55 milhões que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza afirma ter repassado ao PT podem ter origem semelhante à operação realizada entre o BB e a Visanet. Serraglio ressaltou, no entanto, que o Tribunal de Contas da União (TCU) e empresas auditoras têm se queixado sobre a dificuldade de receber documentos do Banco do Brasil.
Antecipação comum
O deputado Carlos Abicalil (PT-MT) afirmou, no entanto, que o BB e todos os outros os bancos que possuem participação na Visanet - como o Bradesco e o ABN-Amro - costumam antecipar recursos de publicidade para a empresa.
Segundo Abicalil, a antecipação reduz o valor do serviço e é uma prática realizada desde 2001, por meio de um fundo de publicidade comum, o chamado Fundo de Incentivos Visanet.
Serraglio ressaltou, porém, que o atual diretor de Marketing do Banco do Brasil, Paulo Rogério Cafarelli, teria admitido que o adiantamento de recursos para publicidade é injustificável. O relator da CPMI informou ontem que R$ 9,1 milhões repassados pelo BB à Visanet foram posteriormente destinados ao caixa dois do PT por meio do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, dono da agência DNA, que tinha contrato de publicidade com o banco.
Divulgação
Abicalil considerou precipitada a divulgação das informações sobre o Banco do Brasil. O parlamentar lembrou que o próprio BB notificou a DNA extra-judicialmente e disse que ainda há a possibilidade de a execução dos serviços referentes aos R$ 9,1 milhões ser comprovada. Ele destacou que a DNA foi contratada por licitação e que os outros concorrentes não recorreram do resultado. Ele lembrou ainda que o BB suspendeu o contrato com a agência em julho deste ano.
Abicalil ressaltou também que a bancada do PT na CPMI solicitou o depoimento de diretores da Visanet, com o objetivo de verificar como é a participação do BB na empresa.
A Visanet é uma empresa privada, da qual o Banco do Brasil controla 32% das ações.
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Reportagem - Sílvia Mugnatto
Edição - Pierre Triboli
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